quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mafersa

Dias desses, numa das minhas idas e vindas, vejo passando um Mafersa, viajei 20 anos atrás, o problema era só as janelas fixas na primeira bandeira, o “resto” era tudo de bom; piso plano e acesso quase nivelado a calçada; ônibus grandes com motores traseiros, com capacidade de até 110 passageiros; corredores largos, o primeiro três portas brasileiro.

A questão das janelas seria de fácil solução, era só constar na compra dos veículos, mas o Mafersa sumiu, assim como desapareceu seu amarelo no meio do sorriso.

Eu era um viajante cativo dos amarelões, mas eles não existem mais. Fecharam a empresa brasileira que fabricava ônibus brasileiro, para as nossas necessidades, de acordo com o clima e geografia. Tivessem uma boa manutenção poderiam estar até hoje em operação.

Incrível como perdemos identidade rapidamente; um canetaço e tudo se resolve. Imagine nas necessidades de mobilidade pela qual passa o planeta, o valor que teria a fabricante de vagões e de ônibus, a nossa brasileira Mafersa.

Eram equipamentos que apresentavam a robustez necessária para barateamento da tarifa, pois bem operados, poderia se aplicar maior prazo para renovação da frota, sem contar a questão comparativa de passageiros transportados, com os atuais novos veículos em operação, cuja capacidade é de 90 passageiros.

A fragilidade dos atuais equipamentos, produzidos de forma a ser aplicada à renovação da frota, implica em aumento dos custos de operação, e quem sai ganhando são as “exclusivas” multinacionais produtoras dos ônibus, que ganharam força com a aniquilação da brasileira Mafersa. Quem perde somos nós, o nosso meio ambiente; equipamentos que deveria ter longa utilização, descartados.

É preciso mudar essa cultura vampirista. O Brasil necessita de um padrão brasileiro metropolitano de transportes públicos de passageiros sobre rodas; definido e determinado pelo poder público, caso contrário, os subsídios públicos comprometerão cada vez mais outros essências serviços públicos.




5 comentários:

lineshinevil disse...

Fico aqui, com os meus vinte e poucos anos, tentano imaginar um desses... =)

Telma disse...

O Brasil necessita de um padrão brasileiro metropolitano de transportes públicos de passageiros sobre rodas;

"Também isso, mas e sobre os trilhos, não?
Sobre o poder público, ouve uma inversão de valores a meu ver...o poder não é público, o poder é de quem domina,manipula e se apropria do que é público segundo interesses próprios....e estes 'poderosos', têm uma visão de planeta pior do que a visão que temos do sanitário...
A questão de otimizar o transporte (ou outra necessidade relevante) para o povo, cai naquela questão que repassei tempos atrás,sobre INVISIBILIDADE PÚBLICA,de Fernando Braga da Costa, só que num âmbito coletivo....
Muito bom teu "escrito",continue moço...
Estou esperando o livro, me chama que faço a divulgação...tu vai gostar daminha abordagem...rs....
Telma

Fernando de La Mancha disse...

Telma a questão de frisar o sistema de superfície, vai ao encontro do que escutei do arquiteto e acumpunturista urbano Jaime Lerner, em recente passagem pela minha cidade; para implantação do sistema sobre trilhos, segundo Lerner, há que ser observada a necessidade de subsídios públicos, tanto para estudos/implantação, quanto para a operação. Na oportunidade ouvi do "acumputurista" que o sistema subterrâneo tem valor 100 vezes superior por km, do que o de superfície. E num país tão carente de serviços públicos essências...

Telma disse...

Concordo moço, e já sabia que vc com certeza escreveu a partir não só da sua competência, mas também de referências tão louváveis quanto, mas me referi à malha de superfície já existente e inoperante, dos vagões e trilhos estragando e daqueles que só recebem carga 'não humana', como absurdamente ouvi dia desses....
E por aqui, apesar do custo, está cada dia pior transitar sobre rodas, sejam quais forem...
Para São Paulo (ou seria São Caos) é muito complicado, mas te digo uma coisa, não falta recursos, falta honestidade e vontade política, comprometimento...

Rodolfo Simões de Melo disse...

Tem o meu apoio Fernando! Em cada linha do texto. Apesar de meu comentário ter saído um pouco tarde, esse assunto continuará vivo a partir do momento que existir uma cidade.

As pessoas insistem na idéia do transporte sobre trilhos. Penso que da janela de um ônibus vejo melhor minha cidade passar. Bem devagarzinho! Em metrôs consagrados, como o de São Paulo, ficamos enclausurados dentro de um sistema subterrâneo e esquisito do ponto de vista humano. Enquanto o usuário do transporte motorizado individual fica bem lá de cima, respirando seu ar sinteticamente refrigerado. Além de injusto a cena é apocalíptica.