segunda-feira, 26 de julho de 2010

Veneno na mesa - O Brasil atualmente é o campeão mundial no uso de agrotóxicos

Dois mil e nove foi considerado um ano sinistro para a saúde do brasileiro. Segundo a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o brasileiro consumiu em média 3,7 quilos de agrotóxico, percentual retirado das 713 milhões de toneladas comercializadas por cerca de seis transnacionais que controlam toda a cadeia produtiva.


Relatórios recentes da Anvisa vem sendo criticado pelo lobby do agronegócio. Nos relatórios constam que 15% dos alimentos pesquisados apresentaram taxas de resíduos de veneno que põem em risco a já fragilizada saúde do povo brasileiro, destaque para o tomate, o arroz, a batata, a cana-de-açúcar e as hortaliças.


O Censo Agropecuário de 2006, constatou que 56% das propriedades rurais no Brasil usam venenos sem assistência técnica, e uso indiscriminado desse material altamente nocivo aos diferentes ecossistemas (bioma) afetam diretamente a qualidade de vida, tanto no campo, quando nos centros urbanos, destino da produção agrícola.


O Brasil atualmente é o campeão mundial no uso de agrotóxicos; conseguiu inclusive bater o recorde de 2008, dobrou o consumo dos venenos, rotulados de defensivos agrícolas na lavoura.

O endosulfan, veneno proibido em mais de 45 países, incluindo a União Européia que proibiu sua comercialização há mais de 20 anos, permanecerá liberado no Brasil até o ano de 2013. O veneno age no sistema nervoso, causando danos irreversíveis ao homem. Um acidente ocorrido em 2008, no Rio de Janeiro, resumido no derramamento de “apenas” 1,5 litros de endosulfan no rio Paraíba do Sul, prejudicou cerca de doze milhões de pessoas.


Enquanto 2013 não chega, o jeito é se banquetear com os alimentos selados com o crânio e as duas tíbias cruzadas; brindemos a falta de responsabilidade do governo federal, com relação à comercialização e a fiscalização dos venenos aplicados em nossos alimentos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Royalties a pururuca

Levaram todo o leitão, e agora os governantes dos estados produtores de petróleo disputam o torresmo. É dessa forma que vejo o alvoroço sobre as novas propostas de distribuição dos royalties, enquanto permanecem os “leilões” amparados pela entreguista Lei do Petróleo, promulgada no governo Fernando Henrique Cardoso. Até o acidente no Golfo do México, envolvendo a privada exploradora de petróleo, a inglesa British Petroleum (BP), desapareceu da mídia, que de olho nas polpudas verbas públicas de publicidade, só mostra o torresmo, ou melhor, os royalties que nem pururucado foi.

A questão da distribuição dos royalties não pode ficar restrita somente aos fragmentos de Éden deste roubado Brasil. Alguém se lembra dos gastos da prefeitura do município de Presidente Kennedy? Naquele pedaço do Espírito Santo, além do petróleo, encontra-se também um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do país. Lá também consumiram milhões em jardins ao som da banda Calipso. E alguém duvida que em Macaé foi diferente? É o torresmo.

O crime maior dos chorões governadores é não ter a coragem nacionalista de abordar com o governo federal e os parlamentares dos estados que representam, a famigerada e “inrevogável” lei, que “legaliza” empresas estrangeiras se apropriarem de nossas riquezas. À época de sua criação, o ainda não presidente Lula, com sua até então eterna oposição, teimava em manter o eco nacionalista: “O petróleo é nosso!”. Lula assume a presidência com maioria absoluta na câmara e no senado, e mesmo reeleito esqueceu até da Vale.

Acredito que o petróleo e outras riquezas naturais devem ser considerados patrimônios nacionais. Portanto, os royalties devem ser distribuídos de forma a se evitar que num futuro nem tão distante, estados produtores não levantem fronteiras, deixando de fora os famintos nativos de um país que teima em aplicar políticas segregadoras na distribuição de suas riquezas.

Sim. Há que se resguardar os estados produtores com relação aos acidentes, principalmente os ambientais. Contudo, e a BP? Fosse a Petrobrás (com acento mesmo) que evitou tragédia semelhante com o afundamento da P-36, estaríamos vendo e ouvindo manifestações para a privatização, e não o chororo dos royalties, que mais parece com o som do torresmo em erupção na panela.

Se o contribuinte eleitor aprofundar o olhar sobre o tema, sem se deixar contaminar pelo esperneio de fim de mandato, enxergará que só resta aos governantes de fim de carreira é chorar pelo torresmo. Se ao menos o leitão estivesse no rolete.