terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viver e não ter a vergonha de ser feliz (...). Por favor, desprogramado.

A misteriosa morte! O apagão final, o desligamento total. Sei que não é assunto de interesse dos vivos, já que significa o outro lado da moeda; independente de ser cara ou coroa ela existe. Talvez mais que a vida que muitos deixam de celebrar presos no abstrato futuro, ou ao passado, passado.

Choro pago. Pagaria por um choro de lamento só para destacar o adeus final? E quanto mais carregado o choro e os soluços, mais importante é a perda, tanto em cifrão, quanto em lembranças de sonhos que jamais se materializarão.

No rito do sarcedote vestido de negro, com capuz sombreando os olhos, empunhando uma foice diabo torto, abastados contratam folclóricas carpideiras, que despejam um rio de lágrimas, mesmo desconhecendo a história do defunto, que deitado se encontra, com viva maquiagem, enquanto os sem posse só lamentam o custo; pudesse escolher, desejaria um crematório público.

E perdemos. Perdemos o cheiro, o riso do ente que se vai, e não nos damos conta, de que a vida, que é um presente, se esvai na absurda irracionalidade da competição dos tolos que nem se dão conta que nasceram vencedores no gozo profundo que fecundou o óvulo.