segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Tocador de atabaque (Eduardo Alves Costa). Minha homenagem ao brasileiro servidor público, delegado federal, Protógenes Queiroz

O Tocador de Atabaque
(Eduardo Alves da Costa)


Querem o meu verso
De nariz para o ar,
Equilibrando a esfera,
Enquanto alguém bate com a varinha
Para me por no compasso.
Pedem-me que não seja violento
E me mantenha equilibrado
Entre a forma e o fundo,
Porque a platéia não deve sofrer
Emoções fortes.


Mas eu, nascido num tempo de sussurros,
Tenho a voz contundente
E por mais que me esforce
Não sirvo para cantar no coro.


Sei apenas tocar meu atabaque.


Assim, que me perdoem
Os amantes dos saraus
E os arquitetos de labirintos,
Que as senhoras se protejam com o xale
E os corações delicados
Se encostem à parede
Para fugir às correntes de ar.


Bato no atabaque
Até estourar os tímpanos fracos
E chamo num grito de gozo
As almas bravias,
Para dançarmos juntos,
Mordidos pela mentira do mundo,
Com os nervos envenenados
E a jugular aos pinotes.
Escutem, eu vou lhes contar a história
Do leão que tinha um espinho na pata...


Bato no atabaque e me consumo
Como se o sangue fugisse
Por um rio subterrâneo.


Vamos, o senhor não pode enganar todos
Durante todo o tempo.


Bato no atabaque
Quem quiser cantar
Que me dê um tom.
Por que ao sair do trabalho
A gente não volta para casa
De montanha-russa?


Bato no atabaque...
Matou o patrão com cinco tiros
Porque foi despedido
Sem aviso prévio.


Bato no atabaque...
Izabel acho que meu pai,
Quando souber,
Vai me bater.
Bato no atabaque...
Moço, compra uma flor
Pra namorada?
Bato no atabaque...
Você acha que eles bombardeiam a China?


Bato no atabaque
e o furacão me arranca pela raize
e eu sou um baobá
atravessando os céus da Flórida
para cair em Nova York,
sacudindo a bolsa de valores
como um enfarte.
Não sei... prá mim
Quem matou Kenedy
Foi a reação.


Bato, bato, bato no atabaque
Até consumir o terceiro estágio
de minha alma de astronauta
e ficar girando,
fora de órbita,
para sempre.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Olhando pela fresta: O Senador Renato Casagrande e a palestra sobre Reforma do Código Penal Brasileiro, na FAESA.

A esperada palestra do senador Renato Casagrande na FAESA não teve o brilho da platéia que lotou o auditório, na espera de propostas esclarecedoras, em cena o Código Penal Brasileiro. Com uns cinco minutos de fala do senador, o brilho da platéia foi se tornando opaco, até a escuridão do fechar da cortina das pálpebras, num ressonar de tédio. Por instantes não observei o senador, mas sim um político à moda antiga, que lança discursos vazios, acostumado com um público às avessas do cotidiano.

O senador, na realidade, fez do debate, ou sei-lá-o-quê, seu palanque. Vi um discurso voltado apenas para os efeitos, esqueceu as causas propositalmente.

O fato de ele ter lhe autoconcedido mais dez minutos para completar os improdutivos 30 minutos, foi de uma deselegância com os que ainda brilhavam na platéia.

A linha da fala dele possibilitava o troco. Estava pensando a oportunidade que ele estava nos dando para debater sobre o Direito político, a sonhada Reforma Política, e nada falamos; ficamos mudos diante de um político, que desconhece que o povo pensa.

Os noticiários rotineiramente estampam os escândalos envolvendo a coisa pública, e ficamos mudos diante do senador da República Federativa do Brasil. Era a oportunidade para lhe perguntar sobre o financiamento público ou privado da democracia; os escândalos da Camargo Correia financiadora de democra$$ia, e também responsável pela interditada obra de construção do aeroporto de Vitória.

O senador desconheceu a inteligência dos que ali estavam presente, quando caolhamente, abordou somente os efeitos dos delitos, as ações públicas que desconhecemos de combate ao crime, ou mesmo, da fantástica arma que não mata, apenas imobiliza. Deve ser uma arma e tanta. Bem que poderiam fazer uso em Brasília.

E nem a manifestação de uma sílaba, louca para se transformar em dissílabo de indignação, perante o discurso vazio do senador. Podíamos perguntar sobre a comentada “mainardimente”, Operação Royalties, desenvolvida pela policia federal, que segundo o comentário, inclui o nome de Victor Martins, presidente da ANP , em investigação, que pelo visto, só o Diogo Mainardi sabe.

Mais que a Reforma do Código Penal, Código este que não cuida das causas, apenas os efeitos colaterais, precisamos resgatar a ética na classe política brasileira. A falta de moral no trato com a coisa pública, é o que permite imaginarmos que a reforma do Código Penal, se possível, devia se basear somente no Código de Hamurabi, vistos os exemplos citados pelo senador.

A palestra foi razoável, poderia ficar melhor, com democracia; com espaços para a comunidade acadêmica em geral contribuir para o processo de esclarecimento de problemas do cotidiano. Fiquei quase até o fim, digo quase, pois saí antes das palmas. Embora eu quisesse falar, mas não dava mais tempo, uma prova de filosofia me aguardava. E fui, com a imagem do senador acorrentado na caverna.