quinta-feira, 2 de julho de 2009

MP-458: a traição

Mudaram as ideias ou ser camaleão é fundamental para maior permanência no poder? No cenário político atual, no jogo do poder, os inimigos de ontem hoje são amigos porque os tempos mudaram, ou são amigos por que é preciso repartir?

Os que condenaram no passado as políticas neo-liberais privatizantes, por exemplo, a mau digerida privatização da Vale do Rio Doce, que gritavam o petróleo é nosso, continuam o processo de entrega do patrimônio público, dessa vez sem ecos de oposição. E fica a pergunta que não quer calar: sob que bandeira? Os tucanos usaram a da globalização, enquanto que o "PT das antigas" saía às ruas defendendo o patrimônio público, moral, ética e umas tantas e tantas vezes o “Fora Sarney!”

Antes era comum identificar o idealista de esquerda: vestia camiseta vermelha, os homens, no geral, faziam uso de barba; já os “almofadinhas” da direita, sempre no terno e militarmente barbeados. Hoje, todos usam Armani, e de forma silenciosa estão entregando 67 milhões de hectares públicos para exploração privada. Superfície na extensão dos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro entregue à exploração privada sem debate público.

Ouvi da ex-Ministra Marina Silva que pela MP-458 sete por cento dos 67 milhões de hectares atingirão a maioria dos assentados, os 93% restantes destinados à minoria. Meio que alucinante a controversidade dessa divisão, mais falamos do Brasil.

A carência para vender a terra legalizada é outro esculacho com a inteligência do povo: para as grandes propriedades o prazo é de três anos, ou seja, 36 meses para privatização, já que neste início da Medida não entrará pessoa jurídica; já para as pequenas, 10 anos.

A Amazônia não pertence ao estado do Amazonas e nem ao Mato Grosso que vai engolindo a selva com seus vastos campos de soja. Também não pertence ao Equador, nem ao Peru e aos demais que aglomeram a Amazônia equatorial.

A floresta é o maciço de equilíbrio da vida nas Américas, um exemplo muito costumeiro está na precipitação pluviométrica ocorridas nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil, portanto, patrimônio de todos, no caso da MP-458, pertencente ao povo brasileiro. Sua venda, sua entrega ou doação, só deveria ocorrer mediante plebiscito.

O planeta Terra é um corpo vivo; a Amazônia sua pele, protegendo o coração água. E nem um alvoroço no Alvorada.