quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Fragmentos

Tinha tempo que eu não escrevia, mas quanto mais nos silenciamos, no meu caso, deixo de escrever, mais a robotizada sociedade vai nos afogando no escarro da mediocridade. Vamos ao ajuntar de letras:

Tempos atrás, duas matérias divulgadas em emissora de TV aqui no estado do Espírito Santo levaram-me a refletir sobre esses novos tempos. Uma, tratou de um recém-nascido abandonado ao relento ainda com indícios de que o cordão umbilical tinha sido cortado recente, na outra, as modas pet, mostrando um cachorrinho de sapatinho, roupinha e acessórios. Nada contra quem gosta dos animaizinhos, eu também gosto. Lembro-me até hoje do Tiquinho, meu primeiro cãozinho. Mas que sociedade é essa que abandona crianças e adota cãezinhos e gatinhos?


Caminho para os meus 5.4, e na minha época de criança no subúrbio carioca ouvia dizer, que nós, as crianças, erámos a garantia de futuro da Nação e cachorro era cachorro e gato era gato. Não se via notícias sobre crianças abandonadas a própria sorte, principalmente no período de frio; quando se deram as matérias. Será que a raça humana está condenada à extinção, e que o futuro da Nação será os auaus e os miaus?

Do jeito que caminhamos, pode ser que em breve veremos crianças, como cantava Eduardo Dusek, querendo levar uma vida de cão. Com garotinhos que gostariam ter nascidos Pastor-alemão. Contudo, acredito ainda no poder de reação da sociedade: “Sejamos mais humano, e menos caninos. Vamos dar guarita ao cachorro, mas também para o menino. Caso contrário, podemos um dia acordar latindo”.

2 comentários:

ricardo haddad disse...

Belas palavras guerreiro. Essa inversão de valores e fruto mesmo de uma programação dos nossos senhores feudais. Ainda bem que apesar usarmos parte desse sistema conseguimos em grande parte das vezes não fazer parte do gado.

Ricardo Pitanga disse...

Boa reflexão.
Acrescentando que um cãozinho é fácil depois descartar.
Uma criança não.
E também tem a demora e a burocracia na adoção.
Tem um casal que comovidos com a situação de uma mãe desesperada, alcoólica e drogada, resolveu adotar seu filho de colo, recém nascido.
No processo de adoção a juíza obrigou os dois a levarem para casa o pacote todo, ou seja todos os irmãos do bebê, ao todo quatro crianças, que variavam na época entre zero e 12 anos.
Passados pouco mais de 2 anos, o processo ainda não foi concluído e o casal não sabe mais o que fazer.
As crianças mais velhas não se adaptaram, mas eles se apaixonaram com o bebê, que sendo criado desde novinho com a nova família consegue se adaptar e entende o casal como seus pais.
E agora, o que fazer? Devolver todos para a fila de adoção? dois anos mais velhos!!!
Não é fácil...