terça-feira, 17 de junho de 2014

A ONU e a Carochinha ambiental brasileira

Relatório divulgado pela ONU, entre dezesseis países localizados na África, América Latina e Ásia, figura o Brasil como o país que mais reduziu o desmatamento e a emissão de gases causadores do efeito estufa. Será? Embora o relatório aborde políticas públicas de preservação adotadas a partir da segunda metade da década de 90, por meio de criação de áreas de proteção ambiental e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e de carne bovina em áreas desmatadas, penso, que só terá crédito um relatório desses quando o Brasil apresentar paisagem lunar, ou seja, sem nem mais uma árvore para derrubar.

A pesquisa destaca ainda o importante papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica. Como? Se nos últimos anos a política indigenista aplicada é de causar inveja a Francisco Pizarro? Será que o relatório fala mesmo do Brasil e de sua política que ignora a causa indígena e ambiental em detrimento do agronegócio que financia esta “democra$$ia” de poucos? Por exemplo, a cegueira política com relação à produção de grãos transgênicos e a substituição das florestas de montanhas, a qual garante a retenção da água da chuva alimentando o lençol freático, por contiguas e sedentas plantações de eucalipto.

Desconhecendo o papel de “provocação” do Ministério Público, o Relatório põe holofotes na ação de promotores públicos, pondo o MP como “um braço independente do governo, separado dos Poderes Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pelas violações das leis”. Ora, quem processa é o judiciário, e esse, pelo que temos observado, pelo menos na questão da construção da Usina Belo Monte, esta às favas com o meio ambiente e a causa indígena.
 
O Relatório se auto contradiz quando aborda o Brasil que conhecemos, destacando duas mudanças ocorridas em 2013: as Emendas ao “Novo” Código Florestal Brasileiro que traz anistia aos desmatamentos anteriores, e o aumento de 28% na taxa de desmatamento com relação à 2013/2012, comparando com 2011/2012.

A realidade do ambiente brasileiro, infelizmente, encontra-se anos luz distante da felicidade do conteúdo nas folhas brancas da ONU que aguardam pelo amarelar do tempo.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A copa e os ratos no país que já foi do futebol

O grito dos Contra a Copa não esta relacionado à arte do futebol, mas no conluio criminoso capitalista que eleva o futebol acima das agudas prioridades sociais. Os Contra a Copa criticam muito mais que um simples rolar de bola promovido por Blatter & José Marín, mas os bilhões públicos investidos em um evento privado em um país com demandas sociais históricas reprimidas. O Futebol, arte a qual o Brasil já monopolizou, penso, desde que imposto o extermínio das “GERAIS” nos estádios, espaço destinado as massas que mais do que torcer levava arte em forma de graça, perdeu ali sua magia.

O fato de não torcer para a família do Felipão não pode subtrair minha brasilidade com perfume do Gilberto Gil; da congada de tambores e casacas, do Alceu e do Benito; de Joões e de Marias. Sou brasileiro, sim. Mas com orgulho não sei de quê, pois não lembro de nenhuma glória no passado se nem namoradas com o nome de Glória eu tive. Logo, não entendo como contar com a paz no futuro, como versa nosso Hino se não houve as tais glórias no passado para expor na vitrine do presente. Até hoje matamos índios e negros, principalmente jovens que vêem na bola, algumas de papel, sua única porta de libertação do misere...

Sou brasileiro! Não do futebol segregador, mas aquele que se indigna em ver um espetáculo, que embora tenha raiz na aristocracia inglesa e que aqui produziu paixões em todas as camadas sociais, ao longo das últimas Copas vem sendo monopolizado por uma entidade que despreza a soberania do povo brasileiro.

Copa!? Prefiro salas de aulas com alunos com riso da certeza de que a esperança não é apenas um inseto; prefiro banheiros e quartos em hospitais públicos perfumados distante da comparação com Auschwitz, e que os corredores desses hospitais sejam somente para passagem, jamais para amontoar os abandonados pelo SUS.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Eleições 2014 - a guerra contra o Curruptus-impunescolariuns brancus

Infelizmente, idêntico ao aborto das eleições 2010, o tema maçante como promessa eleitoral para 2014 será a redução da maioridade penal, combinada com aplicação de punições mais severas. Com tantas necessidades aterrorizando o povo brasileiro (educação, saúde, mobilidade, segurança, agressões ao ambiente, etc) e lá vem os/as oportunistas explorar a estúpida fixação nos efeitos! O que alimenta a violência não é a falta de leis, mas a explícita incapacidade de ressocializar do sistema medieval prisional e viciado vigente, e claro, a justiça que não alcança os assaltantes do erário.

Recentemente noticiaram que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot informou que quase metade do Congresso tem pendências criminais; alguns processos blindados com o “segredo de justiça”, o que pode ser entendido como facilitador à impunidade histórica, que ainda conta com o apoio da imunidade parlamentar e o foro privilegiado. Quase ninguém teve acesso acesso a essa informação do Janot, ao contrário da enxurrada de noticias que surgem reforçando à redução da maioridade penal.
  
Há tempos que o Brasil figura entre os países que apresentam aumento contínuo da população carcerária; e não é por falta de leis, elas existem, mas tão somente porque não há interesse dos legisladores em esmiuçar as causas. Se esmiuçasse, certamente seria identificado o agente viral causador, não somente da violência, mas também do ineficaz sistema público de transporte, o Curruptus-impunescolariuns brancus, também responsável por aquela obra do hospital que já levou milhões e só apresenta o esqueleto alicerce. Mas ficam só nos causas, e o pior: responsabilizando jovens que sequer  muitos nem endereço têm endereço. Que noção de civilidade quer cobrar o Estado, do futuro que mal tem passado, que dirá presente, sem nem família o tem? O Brasil, acredito, deve buscar políticas que levem à aplicação de uma educação transformadora, e não de políticas aterrorizantes que negam cidadania ao seu povo.

Em vez de penas mais duras ou redução da maioridade penal, o tema oportuno, principalmente pós-mensalão e outras aberrações, bem que poderia ser o fim da imunidade política e do foro privilegiado; o compromisso eleitoral chave para 2014. Propostas que certamente não entra na cartilha dos que buscam reeleição. Pois se as tivessem já teriam apresentado. 

Enfim, acreditando que problemas complexos são solucionados com ações simples, busque fugir dos efeitos que levam ao modismo eleitoral de 2014 para que responda: quem mata mais? O jovem sem habitat que aperta o gatilho no semáfaro, ou aquele/a que desviou o dinheiro da creche pública, que garantiria apoio a criança enquanto pais saem à luta?