quinta-feira, 12 de junho de 2014

A copa e os ratos no país que já foi do futebol

O grito dos Contra a Copa não esta relacionado à arte do futebol, mas no conluio criminoso capitalista que eleva o futebol acima das agudas prioridades sociais. Os Contra a Copa criticam muito mais que um simples rolar de bola promovido por Blatter & José Marín, mas os bilhões públicos investidos em um evento privado em um país com demandas sociais históricas reprimidas. O Futebol, arte a qual o Brasil já monopolizou, penso, desde que imposto o extermínio das “GERAIS” nos estádios, espaço destinado as massas que mais do que torcer levava arte em forma de graça, perdeu ali sua magia.

O fato de não torcer para a família do Felipão não pode subtrair minha brasilidade com perfume do Gilberto Gil; da congada de tambores e casacas, do Alceu e do Benito; de Joões e de Marias. Sou brasileiro, sim. Mas com orgulho não sei de quê, pois não lembro de nenhuma glória no passado se nem namoradas com o nome de Glória eu tive. Logo, não entendo como contar com a paz no futuro, como versa nosso Hino se não houve as tais glórias no passado para expor na vitrine do presente. Até hoje matamos índios e negros, principalmente jovens que vêem na bola, algumas de papel, sua única porta de libertação do misere...

Sou brasileiro! Não do futebol segregador, mas aquele que se indigna em ver um espetáculo, que embora tenha raiz na aristocracia inglesa e que aqui produziu paixões em todas as camadas sociais, ao longo das últimas Copas vem sendo monopolizado por uma entidade que despreza a soberania do povo brasileiro.

Copa!? Prefiro salas de aulas com alunos com riso da certeza de que a esperança não é apenas um inseto; prefiro banheiros e quartos em hospitais públicos perfumados distante da comparação com Auschwitz, e que os corredores desses hospitais sejam somente para passagem, jamais para amontoar os abandonados pelo SUS.


Um comentário:

Ricardo Pitanga disse...

Parabéns meu amigo, reflexão mais que assertiva e bem posta.