terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Babá via satélite


A ladainha de redução da maioridade penal tende a se fixar no consciente coletivo, que entorpecido pela politicagem oportunista dos recém empossados prefeitos que prometem guarda civil armada para enfrentar a violência esquece de analisar as causas que levam crianças a perderem precocemente sua doce inocência.

Meu dedo em riste bem que poderia indicar a corrupção como responsável por menores apertarem o gatilho, afinal não faz tanto tempo que ocorreu aqui, em nosso (?) estado do Espírito Santo a Operação Pixote, a qual levou para as grades pessoas do governo “in-responsáveis” pela socioeducação de menores em conflito com a lei. Segundo noticiado, cada menor em cerceamento de liberdade custando absurdamente algo em torno de R$9.000,00/mês.

E incrivelmente, por conta da manipulação da grande mídia, a qual explora incansavelmente os efeitos, anulando o consciente coletivo a se debruçar nas causas, observa-se que o discurso dos oportunistas da “podrelítica” reinante encontra eco; principalmente no seio familiar das vítimas da falta dessas políticas, que presas nos efeitos, aplaude os investimentos em segurança/armamento, mas sequer imagina que o discurso os levará diretamente à armadilha da indústria da violência a qual visa não erradicar os efeitos, mas somente os lucros, originados, acreditem, na babá Tv.


Exemplos não faltam! Basta tirar um dia para ver o que a falta do controle público de conteúdo na Tv aberta esta fazendo com o futuro do país e então terá capacidade de compreender porque as crianças não perguntam mais sobre a cegonha e porque meninas trocaram bonecas por bebês. O cenário montado indica que nossas crianças, o futuro da nação, muito antes de se tornarem cidadãos plenos, conhecedores de seus direitos e deveres conhecerão o Estado que ignora suas necessidades, que permite o estupro coletivo praticados por programas televisivos que nada agregam à sua existência. Nesse contexto é importante resgatar, além de muitos, a “geração Xuxa”, influenciada predominantemente pelo visual com exagerados apelos sexuais, responsável direto pela precocidade da sexualidade infanto/juvenil.

Enfim, a violência não é monopólio dos jovens, ela encontra-se nas residências da maioria da população, principalmente as de menor poder aquisitivo, vulneráveis com as mais variadas cenas, exibidas ou praticadas nos programas televisivos. Infelizmente, baixinhos e baixinhas de outrora por ser empanturrarem de lixos via satélite agora são pais que não sentem nenhum constrangimento em dividir a poltrona da sala, assistindo, com raras exceções, o lixo da programação da Tv aberta, mas esse desafio nossos (?) políticos preferem transferir para o controle remoto da Tv.