terça-feira, 25 de março de 2014

Dia Mundial da Água... Comemorar ou lutar?

Hoje comemoramos o Dia da Água. Os governantes como sempre, iludindo as massas no “politicamente correto”, com slogans que jogam uma aparente culpa na sociedade, jamais nele, que na infinita maioria das vezes, por conta da facilidade de manipulação do consciente coletivo, chega ao poder por inimigos do ambiente. Sim. São os inimigos do ambiente que patrocinam esta “democra$$ia” de poucos, que tem como inimigo o ambiente compartilhado por todos, sob a estúpida alegação de necessidade de desenvolvimento econômico, alguns usando a falsa roupagem de desenvolvimento sustentável (...).

Não faz tanto tempo que brecaram a instalação da Baosteel no município de Anchieta-ES,
alegando incapacidade hídrica da bacia do Rio Beneventes, mas tempos depois, mesmo o Estado atravessando um período crítico de estiagem, atropelaram vozes contrárias e o parecer anterior e concederam Licença Prévia (LP) para instalação da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU). 

Outro exemplo de agressão ao ambiente capixaba e submissão do “E$tado”, são as contíguas plantações de eucalipto, muitas substituindo nossas florestas de montanhas, cobertura importante para retenção das águas da chuva que garantem vida as cidades distantes.

Essas plantações que alguns tolos acreditam se tratar de florestas plantadas, não tem nada de ecológico; a maior parte de produção da celulose é destinada para publicidade, em ampla maioria a de consumo; quase nada é destinada para os caros livros. É importante destacar que as plantações de eucalipto não são florestas. Para ser floresta é preciso ter diversidade. Qual bicho de nossa fauna que incluiria na sua dieta a semente do eucalipto, sua folha, ou seu tronco sedento por água, iniciado na raiz pivotante que vai buscar águas nos confins do lençol freático? Nenhum. Apenas um inseto, que surge no cenário, a formiga cortadeira, nossa saúva que saudamos que consome as folhas do eucalipto.


Para combater essa heroína de nossos bosques, as plantações são “defendidas” por iscas venenosas, carregadas até as colônias, que ao entrar em processo de decomposição contaminam o lençol freático, logo, venenosa fica nossa água.

Enfim, a pior agressão que cometemos com o ambiente, não é o tempo que permanecemos no chuveiro, mas no nosso silêncio. O assassinato da água que nos garante vida, ocorre antes dela sair nas torneiras e chuveiros.

Nossos bosques têm mais vida sim, mas até quando? 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Democracia brasileira - um banquete de poucos

A democracia segundo o Wikipédia nasceu na Grécia, na etimologia da palavra DEMO = povo + KRÁTIA= governo, para se opor a Aristokrátia, ou seja, ao regime da elite.

Trazendo a democracia para nossos dias, ou melhor, a “democra$$ia”, observamos que ela esta longe do cerne de sua criação: o foco nas necessidades do povo, das massas. A democracia atual, não só a brasileira, mas a globalizada, esta vergonhosamente à serviço dos agentes privados financiadores; metamorfoseou a razão da sua origem com mandatários nos Poderes, principalmente no executivo e no legislativo, como meros gerentes do sistema dominante.

No caso do Brasil, não creio haver sequer indícios de democracia no simples fato de se constatar aqui a existência de dezenas de partidos políticos, pelo contrário, tal fato só fragmenta a já frágil democracia. Aqui os partidos políticos não estão consolidados em ideologias, mas no interesse de seus "donatários", que no equilíbrio do status quo, largaram as bandeiras históricas que diferenciavam: situação X oposição.


Embora seja um pensamento utópico a fixação pela democracia, talvez ela pudesse fugir da ilha do Morus se destruíssemos a gambiarra imposta tijolo a tijolo, para, enfim, um novo surgimento, o qual pudesse resgatar sua origem: primeiro o povo, depois o governo, o poder.
  


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

PT: Araçari ou tucano?

Nunca antes na história de um país, um partido político no comando da Nação foi tão ardiloso no que tange à traição contra seu povo. As privatizações de aeroportos e portos; o leilão do pré-sal do Campo de Libra, o aumento do teto de 20% para 30% de participação estrangeira no Banco do Brasil são contradições históricas do PT, que antes de chegar ao poder, apontava o dedo em riste para o PSDB, condenando os tucanos de traidores do Brasil.

E o PT, o que fez para frear a sanha privatizante e traidora dos tucanos? Absolutamente nada, ou melhor, mergulhou a (indi)gestão em um profundo projeto de entrega de empresas e recursos estratégicos do Brasil, com um único foco: perpetuar-se no poder em um projeto que em médio prazo nos reconduzirá à condição de colônia. Empresas estratégicas estão sendo desmanteladas, e no lugar delas, empresas de ficção territorial; no lugar de nossos recursos naturais a degradação do ambiente.

Agora como forma de trazer a classe trabalhadora na cumplicidade dessa descarada entrega, o PT acena para aplicação do estratégico FGTS para obras de infraestrutura, prometendo retorno rentável nas futuras concessões traduzidas em pedágios de rodovias e ferrovias deste ainda nosso Brasil varonil.

E anota aí: 44 bilhões será a cifra deste ano de Copa do Mundo e eleição cortado do Orçamento; ficando o corte total assim dividido: R$13,5 bilhões de despesas “obrigatórias”, por exemplo, a Previdência; e os outros R$30,5 bilhões de “despesas discricionárias”, ou seja, aquelas que o governo não tem a obrigação de gastar, prejudicando áreas sensíveis como: Desenvolvimento Agrário, Meio Ambiente, Cidades, Transportes, entre outras.

E não se vê qualquer esforço do PT e da prostituta base de apoio comandada pelo cafetão PMDB para a constitucional auditagem da dívida, pelo contrário, desejam eles por meio da PLC 99/13 recalcular a dívida com base na aplicação da elevadíssima Taxa Selic, desta forma os entes federados continuarão destinando grande parte de seus orçamentos, para pagar parte dos juros e amortização à união, para que essa última destine esses recursos para a questionável dívida federal com o setor financeiro.

O arrependimento, como dizia o Marques de Maricá, é ineficaz quando as reincidências são consecutivas.

1, 2, 3... Som

Acredito, que a maior façanha do homem desde o seu nascimento é a fala, a arte de se comunicar. Quando o/a neném começa a balbuciar no enrolar da língua sons incompreensíveis; para estimular tentamos imitá-lo/a, como forma de acelerar seu aprimoramento na comunicação. Quando ele/ela solta os primeiros “gu-gus” e “da-das” a alegria inicia o processo rumo ao êxtase do “pa-pa” e “mam-mam”; até o “au-au” é celebrado.

Mas essa façanha corre perigo! Nos dias atuais, em que a comunicação, nas mais variadas formas de parafernália digital se encontra ao alcance da maioria, observamos, que estamos, com os “entupidores” de ouvidos saídos dos smartphones ignorando a comunicação com o próximo, com o vizinho; embora, contudo, acessa-se todo o globo, traduzindo línguas e dialetos.


Sobre, deixo minha fértil imaginação prever que em breve, celebraremos o reencontro do homem adulto com a sua fala; profecia encontrada em pequena tira da importante obra de Simon & Garfunkel, na canção The Sound Of Silence (O Som do Silêncio), que alerta: “Tolos eu disse: vocês não sabem, silêncio é como um câncer que cresce...”.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Valsando a vida

Tem dias em que mesmo após abrir os olhos e fazer um lento espreguiçar, todo o meu corpo implora para não sair da cama, talvez para adiar o meu encontro com a manada de boçais que recheiam a rotina da minoria desperta.

Algumas vezes a energia para levantar é antecipar o assassinato do dia; pensando na noite, o retorno, o abrir da cela da doce prisão de sonhos depois da aceleração do dia.

Na prisão busco o clic do sono. Reluto com fantasmas variados até conseguir fechar os olhos, até então perdidos no finito teto de meu quarto pintado em branco-gelo, buscando, ainda abertos sonhar; imaginando ser o teto que paira sobre meu corpo estirado na cama uma gigantesca tela da vida.

O sono, face à ansiedade foge. Meus olhos inquietantes e cerrados correm de um lado para outro, buscando ao menos sonhos em preto e branco, mas se perdem no vazio do teto; até que novamente o sol dribla a escuridão e vem me avisar que um novo dia chegou.


Saúdo o sol, mas também saúdo os boçais que cruzam meu caminho, pois sei que eles são uma bússola danificada, com serventia apenas para a manada sem rumo, a qual, sequer, entre milhares, imagina que viemos feito para acabar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência Negra - descredenciados pelo Sistema

Dias desses, no interior de um ônibus, vi um menino indagando o pai sobre heróis. Em uma das frações do diálogo o menino perguntou ao pai se no Brasil tinha algum herói para vencer o Homem de Ferro? Aparentemente, o pai, para não contrariar o filho, encheu a bola do tal Homem de Ferro; como um especialista em HQ esmiuçou todos os seus super poderes tornando o herói imbatível. E vi no menino um certo brilho de júbilo, talvez por ter em casa vários bonecos do imbatível herói.

A cena trouxe-me certa perturbação... Será que não temos heróis no Brasil para apresentar as futuras gerações? Como estamos na semana da Consciência Negra, vamos a um breve resgate: A Revolta da Chibata e nosso brasileiro herói João Cândido Felisberto, o Almirante Negro e a marujada negra dos encouraçados Minas Gerias e São Paulo.

O Brasil no auge do ciclo da borracha e do café investia pesado no fortalecimento da esquadra brasileira, mas faltavam marujos para fazer o trabalho da ralé. A Revolta da Chibata, acredito, seja o divisor de água da Marinha de Guerra do Brasil. Não fosse ela, a marujada, comandada por oficiais oriundos somente da aristocracia, até os dias de hoje seria capturada a força nos guetos e prisões desse Brasil e confinados em prisões flutuantes “doutrinados” pelo açoite da chibata.

A chibata era “herança” portuguesa nas forças armadas. A marinha de outros países e até o exército brasileiro já tinha abolido a prática da chibata como castigo disciplinar. Foram inúmeras as tentativas de eliminar esse aviltante castigo. Em 1865 a Câmara dos deputados apresentou um projeto que sugeria a substituição do castigo físico por descontos no soldo, mas a Marinha do Brasil não aceitou.

Em 1883 um novo pedido foi feito, fixando em 25 chibatadas o castigo. Com a República em 1889, um dos primeiro atos do governo foi abolir a chibata, mas a abolição ficou só no papel. A abolição só veio em 1910 com a revolta dos marinheiros. O estopim foi a aplicação de 250 chibatadas no marujo Marcelino Rodrigues.


Salve João Cândido e Francisco Dias Martins, o Mão Negra! Salve, salve o jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar! Salve Chico Prego! Salve Anastácia e Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho! Salve Solano Trindade, André Rebouças e tantos heróis e heroínas que deram razão à vida pela dignidade humana.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O neopeleguismo no contexto dos protestos do Outono Brasil

O “Outono Brasil”, depois de anos de hibernação fez acordar, não os reis e seus capangas da podrelítica reinante na terra brazilis, esses despertíssimos, mas a valiosa classe trabalhadora.

O despertar não teve raiz fincada no movimento sindical, mas no movimento estudantil. Foram os estudantes, organizados inicialmente no Movimento do Passe Livre (MPL), empunhando a bandeira: “Uma vida sem catracas”; a partir daí, foi surgindo outros grupos, empunhando outras bandeiras de interesse coletivo, por exemplo, entre outras, o fim da corrupção e sobre os gastos públicos para a Copa do Mundo de 2014. Enquanto o movimento sindical, a maioria político partidário, assistia de camarote a força da juventude que tomavam as ruas e praças, em especial a praça do pedágio (Vitória-ES), que de 10 estudantes passou para mais de 100 mil pessoas na histórica caminhada do dia 20 de junho.


A classe trabalhadora deve buscar as causas que aniquilaram os sindicatos operários pós-eleição do “presidente companheiro”, e retomar esse importante instrumento de luta.  Eu, particularmente acredito que o ponto na curva ocorreu bem antes da eleição do Lula; foi quando os sindicatos começaram a servir de abrigo para siglas político partidárias, em especial o PT, e esqueceu (?) de politizar suas bases. Quando o PT assume o poder “convida” as lideranças que representavam milhares de trabalhadoras e de trabalhadores para ocupar cargos no poder; engenharia responsável pelo silêncio dos sindicatos e Centrais, em especial a CUT, quando o PT, no poder, aprova o Fator Previdenciário, ação, suspeita-se, feita no modus operandi mensalão.


De lá pra cá, raro ver sindicatos combativos. Às vezes penso por conta da despolitização de sua base que ficou aturdida quando o partido político  abrigado no movimento sindical assume o poder.

Hoje não se vê mais “sindicalista” à frente de suas bases com panfletagem de material subversivo; nem tampouco eles mantêm a barba que os caracterizavam ser de esquerda. Atualmente as filiações sindicais ocorrem não para entender o “efeito borboleta”, a necessária em interminável luta de classes, mas por conta dos “convênios” com farmácias e afins, e claro, a assistência jurídica que traduz bem a falha na relação patrão versus empregado.


Por isso que não observamos mais companheiros e companheiras empunhando bandeiras vermelhas, mas famintos terceirizados. A terceirização da luta, penso, é a mostra de que a classe trabalhadora perdeu antes mesmo de iniciada a luta. Salvação até que tem. Para isso a classe trabalhadora deve esquecer sua outrora condição de semente, e entrar em processo de decomposição para adubar a terra, preparando seara para as trabalhadoras e trabalhadores do amanhã.