segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A destruição da Amazônia - o assalto a humanidade

O governo de Michel Temer, que dizem por aí contar com 5% de apoio, além da venda de empresas nacionais estratégicas para o capital estrangeiro, por exemplo, a Eletrobras, vai rasgar a Amazônia brasileira à exploração de mineração privada. Trata-se da Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (RENCA). A área do ataque ao patrimônio natural da humanidade tem tamanho aproximado de 46.000km², e fica localizada entre os estados do Pará e Amapá. A RENCA foi criada no governo militar, que determinava que somente a empresa pública, Companhia de Pesquisa e de Recursos Minerais (CPRM), pertencente ao Ministério de Minas e Energia podia fazer pesquisa geológica para avaliar as ocorrências de minérios na área. Liberada a área pelo decreto, o próximo passo será o leilão.


A traição do governo tampão ao ambiente brasileiro, composto por inúmeros investigados em corrupções diversas, inclusive pela bancada ruralista, publicamente declarada inimiga de reservas aos ameríndios, não para só no decreto. Cinco meses antes do anúncio oficial, segundo a BBC o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, filho do senador Fernando Bezerra (PSB), esse, alvo da Operação Lava Jato; em evento a empresários no Canadá anunciou que a área de preservação amazônica seria extinta, e a exploração seria leiloada entre empresas privadas. Segundo a pasta, esta foi a primeira vez nos últimos 15 anos que um ministro de Minas e Energia participava do evento. Trinta e três anos de pesquisas.... Quais ocorrências minerais foram registradas nessas três décadas? O povo não é tolo, imaginar que as pesquisas estão protegidas em sigilo.
Não é só uma lasca do patrimônio mundial da humanidade que estão leiloando a predadores privados, mas o futuro de gerações, ou melhor, a garantia de sustentabilidade de gerações porvir. Estão abrindo a porta para destruição da Amazônia. E paralela a destruição, o desmonte dos órgãos de fiscalização e controle, sob a irresponsável falácia de redução do Estado.


O povo brasileiro precisa compreender a destruição do patrimônio nacional em curso, o desmonte da Nação. Um governo tampão, com suspeitos 5% de aprovação, com boa parte de seus integrantes alvos de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) não pode se apropriar do patrimônio de todos, e negociar, como se fosse negócio de família. É a soberania do Brasil que está em jogo. E se tratando da Amazônia, são vidas que estão em risco, para que uma minoria tenha lucro sobre o patrimônio de todos, inclusive daqueles que nem nasceram ainda. Empresas que participam da receptação desse importante patrimônio devem ter seus produtos boicotados, não só por brasileiros, mas globalmente, afinal, não fosse o receptador o ladrão jamais existiria.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um diálogo, infelizmente comum, num canto qualquer do roubado Brasil

Era madrugada escura quando saí de casa a pé atrás de trabalho. O dinheiro do ônibus que era só de ida, deixei para que meus pequeninos pudessem ao menos comer um pão seco de desjejum.... Não sei mais o que fazer. Estou com muita fome e não consigo emprego. Só peço um trocado para comer um pão, um salgadinho qualquer, para eu conseguir força e arrumar, nem que seja um biscate rápido, para que eu possa retornar com pelo menos um punhado de arroz e fubá. Lá em casa a situação é de desespero. As latas de comidas estão todas vazias. O aluguel atrasado; luz e água ainda tenho por piedade de um vizinho, que permitiu um gato na sua rede, e a noite cede uma mangueira de água... Por favor, qualquer trocado, na condição que me encontro será um milhão; juro que não é para comprar “pedra”, é fome mesmo moço. Em outras épocas eu teria muita vergonha de pedir dinheiro nas ruas a estranhos, mas a fome é de doer. Minhas pernas estão fracas, e sinto meu estômago se comprimindo, tamanha é a minha fome. Ontem eu deixei de jantar, pois faltaria para minha família... Moço, por amor ao nosso Senhor Jesus Cristo o senhor pode me ajudar? Qualquer trocadinho...
Criança Morta-Portinari


- Gostaria muito de lhe ajudar, mas estamos, infelizmente, na mesma condição: a de vítimas da corrupção que vai sangrando o Brasil, a qual vai seguindo em efeito dominó, atingindo nossas crianças, assassinando o futuro no presente. E pelo que observamos nenhum poder consegue ter força suficiente para dar um basta. Cheguei a pensar naquele magistrado que quando iniciou a carreira parecia desejar mudar o mundo, este estado de aberrações. Aquele! O senhor lembra? Estava sempre dando entrevista, saciando a sede e a fome dos famintos por justiça, dizendo defender o Estado Democrático de Direito; eu cheguei acreditar nele, mas ele se calou quando o colega que atuava na mesma vara foi aposentado compulsoriamente por suspeita de desvio de conduta. Parece que vendia sentenças.... Queria muito lhe ajudar, mas sequer consigo lhe dar ao menos esperança. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Fragmentos

Tinha tempo que eu não escrevia, mas quanto mais nos silenciamos, no meu caso, deixo de escrever, mais a robotizada sociedade vai nos afogando no escarro da mediocridade. Vamos ao ajuntar de letras:

Tempos atrás, duas matérias divulgadas em emissora de TV aqui no estado do Espírito Santo levaram-me a refletir sobre esses novos tempos. Uma, tratou de um recém-nascido abandonado ao relento ainda com indícios de que o cordão umbilical tinha sido cortado recente, na outra, as modas pet, mostrando um cachorrinho de sapatinho, roupinha e acessórios. Nada contra quem gosta dos animaizinhos, eu também gosto. Lembro-me até hoje do Tiquinho, meu primeiro cãozinho. Mas que sociedade é essa que abandona crianças e adota cãezinhos e gatinhos?


Caminho para os meus 5.4, e na minha época de criança no subúrbio carioca ouvia dizer, que nós, as crianças, erámos a garantia de futuro da Nação e cachorro era cachorro e gato era gato. Não se via notícias sobre crianças abandonadas a própria sorte, principalmente no período de frio; quando se deram as matérias. Será que a raça humana está condenada à extinção, e que o futuro da Nação será os auaus e os miaus?

Do jeito que caminhamos, pode ser que em breve veremos crianças, como cantava Eduardo Dusek, querendo levar uma vida de cão. Com garotinhos que gostariam ter nascidos Pastor-alemão. Contudo, acredito ainda no poder de reação da sociedade: “Sejamos mais humano, e menos caninos. Vamos dar guarita ao cachorro, mas também para o menino. Caso contrário, podemos um dia acordar latindo”.