terça-feira, 21 de outubro de 2008

Goebbels vive

Quanto custa a verdade? Qual o custo de uma propaganda do Ministério da Saúde, ou de secretarias estaduais de saúde na mídia, enquanto abarrotados de gente estão os corredores dos pronto-atendimentos públicos? Faltando remédios para o corpo e para a alma.

Por que o Banco do Brasil tem que patrocinar o Bom Dia Brasil da Rede Globo? Quanto é a cifra? Ou será segredo? Por isso, guardam-se segredos?

São muitas as propagandas públicas na mídia. Não só dos ministérios e das empresa do Lula, mas também de outros setores e poderes públicos.Todas consumindo milhões de dinheiro público.

“Uma mentira mil vezes dita, torna-se verdade”. Esse pensar do pai da propaganda nazista, Joseph Goebbels, leva-me a crer que vivemos numa espécie de lavagem cerebral midiática, que só terá fim, no dia em que houver transparência nos custos dessa publicidade pública.

Quando seu Quincas Berro D’água perceber que o gasto com a propaganda da companhia estadual de água e de esgoto daria para levar água limpa ao povo das grimpas, começaria a reclamar do gasto desnecessário do dinheiro público em propagandas de ficção.

Até a Eletrobrás resolveu dar o ar da graça na plim plim. Depois desse longo período de estiagem não repetiram as perguntas que todos os anos nos aterrorizam: Teremos em vista algum apagão? Como estão os volumes hidrográficos de nossas principais bacias hidrográficas? Ninguém responde. Serão os efeitos da propaganda?

Penso que tem a ver. Ineficiências públicas desaparecem do foco da mídia à medida que observamos aumentar as propagandas públicas. Por isso, penso que deve haver uma lei para disciplinar as propagandas institucionais em todas as formas de mídia paga; pelo menos na transparência dos gastos públicos; independente do Poder que as solicitam.

2 comentários:

Rennan disse...

Também acho, o mal de muitos brasileiros é achar que a mídia só transmite a verdade, o que não é verdade.
Pessoas que só usa a comunicação televisiva para se informa dos assuntos como política, por exemplo, precisa pelo menos “trocar de canal”, pois as grandes emissoras destorcem as notícias ou fazem um certo sensacionalismo fazendo com que o telespectador criem uma opinião sem saber a verdadeira versão da historia e isso cria varias atitudes desnecessárias e necessárias. Quando uma pessoa passa a buscar novos meios de comunicação, não se prendendo a uma só fonte, começa a construir um novo olhar critico, vendo os “dois lados balança”.
Como você citou em seu texto, a publicidade e o marketing fazem um grande show de anúncios e divulgações “um pouco exageradas”, mais na minha opinião isso vem acontecendo porque nós brasileiros deixamos, estamos nos contentando com pouco, se a sociedade não parar para pensar e analisar os nossos governantes, passaremos a ter que nos acostumar com o “mundo das maravilhas”.

Rennan Amorim.

Telma disse...

O poder da mídia

Por: Afonso do Carmo

O poder da mídia para imbecilizar o cidadão é inquestionável. É notória sua capacidade para levar populações inteiras do ridículo ao absurdo sem que elas sequer percebam isso. A publicidade manipula e seduz, transformando o indivíduo em consumidor passivo de tudo aquilo que de maneira atraente e dissimulada lhe é imposto. Consumir virou sinônimo de status e de felicidade. Desse modo, a sociedade é dividida e classificada em dois blocos: os incluídos e os excluídos, ou seja, os que têm poder econômico para consumir e os que não têm.

A mídia, de modo geral, deixou há muito de representar um instrumento imparcial de divulgação de informações e fatos.

Passou a ser uma poderosa formadora de opiniões, agindo exclusivamente segundo aquilo que possa trazer aos seus donos maiores retornos financeiros. O marketing empresarial, através da mídia, conseguiu a perfeição na arte de incutir na mente das pessoas necessidades que elas não têm. Para isso conta com outra poderosa aliada: a psicologia empresarial. O profissional do marketing doura a pílula, e o psicólogo encontra as brechas na psique coletiva para induzir a massa a devorá-la. Era de se esperar que não fosse assim.

Era de se esperar que aqueles que estudam e adquirem conhecimentos fossem diferentes. Mas o aporte de conhecimentos não muda comportamentos. As escolas que formam os profissionais da propaganda não fornecem aos seus alunos os necessários conceitos éticos de honestidade e integridade moral. Limitam-se a fazer com que eles se atenham exclusivamente à função de gerar lucros. Salvo exceções, os profissionais da comunicação de massa, tanto quanto os psicólogos que atuam no ramo, não têm consciência nem visão analítica para concluir que os atuais mecanismos de mercado estão conduzindo a economia mundial para crises permanentes e incontroláveis. O sistema já apresenta sinais claros de esgotamento. Mas o óbvio, por dispensar demonstrações, é difícil de ser percebido.
Quando idealizou o modelo capitalista de produção, Adam Smith pensou ter criado um sistema perfeito. Um sistema econômico que encontraria seu auto-equilíbrio pela ação de uma "mão invisível". Mas Adam Smith era mais um filósofo do que um economista. Sua postura filosófica positivista de credulidade levou-o a não acrescentar à lógica do seu sistema variáveis como a avareza, a ganância e o egoísmo, que a priori caracterizam a natureza humana.