quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência Negra - descredenciados pelo Sistema

Dias desses, no interior de um ônibus, vi um menino indagando o pai sobre heróis. Em uma das frações do diálogo o menino perguntou ao pai se no Brasil tinha algum herói para vencer o Homem de Ferro? Aparentemente, o pai, para não contrariar o filho, encheu a bola do tal Homem de Ferro; como um especialista em HQ esmiuçou todos os seus super poderes tornando o herói imbatível. E vi no menino um certo brilho de júbilo, talvez por ter em casa vários bonecos do imbatível herói.

A cena trouxe-me certa perturbação... Será que não temos heróis no Brasil para apresentar as futuras gerações? Como estamos na semana da Consciência Negra, vamos a um breve resgate: A Revolta da Chibata e nosso brasileiro herói João Cândido Felisberto, o Almirante Negro e a marujada negra dos encouraçados Minas Gerias e São Paulo.

O Brasil no auge do ciclo da borracha e do café investia pesado no fortalecimento da esquadra brasileira, mas faltavam marujos para fazer o trabalho da ralé. A Revolta da Chibata, acredito, seja o divisor de água da Marinha de Guerra do Brasil. Não fosse ela, a marujada, comandada por oficiais oriundos somente da aristocracia, até os dias de hoje seria capturada a força nos guetos e prisões desse Brasil e confinados em prisões flutuantes “doutrinados” pelo açoite da chibata.

A chibata era “herança” portuguesa nas forças armadas. A marinha de outros países e até o exército brasileiro já tinha abolido a prática da chibata como castigo disciplinar. Foram inúmeras as tentativas de eliminar esse aviltante castigo. Em 1865 a Câmara dos deputados apresentou um projeto que sugeria a substituição do castigo físico por descontos no soldo, mas a Marinha do Brasil não aceitou.

Em 1883 um novo pedido foi feito, fixando em 25 chibatadas o castigo. Com a República em 1889, um dos primeiro atos do governo foi abolir a chibata, mas a abolição ficou só no papel. O fim do castigo só veio em 1910 com a revolta dos marinheiros. O estopim foi a aplicação de 250 chibatadas no marujo Marcelino Rodrigues.


Salve João Cândido e Francisco Dias Martins, o Mão Negra! Salve, salve o jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar! Salve Chico Prego! Salve Anastácia e Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho! Salve Solano Trindade, André Rebouças e tantos heróis e heroínas que deram razão à vida pela dignidade humana.

2 comentários:

Leandro Vasconcellos disse...

Me fez lembrar de um herói capixaba, qual foi, Bernardo José dos Santos, o "Caboclo Bernardo", que chegou a receber uma medalha de honra ao mérito da Princesa Isabel.

Segue abaixo o link para o artigo que comentei com você sobre Kim e João, ótimo para uma reflexão político-econômica.

http://ricamconsultoria.com.br/news/artigos/palestra_economia_brasil_coreia_do_sul

Fernando "de La Mancha" Magno disse...

Leandro, muito bem lembrada a memória desse fantástico caboclo. Valeu. Abração