sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Valsando a vida

Tem dias em que mesmo após abrir os olhos e fazer um lento espreguiçar, todo o meu corpo implora para não sair da cama, talvez para adiar o meu encontro com a manada de boçais que recheiam a rotina da minoria desperta.

Algumas vezes a energia para levantar é antecipar o assassinato do dia; pensando na noite, o retorno, o abrir da cela da doce prisão de sonhos depois da aceleração do dia.

Na prisão busco o clic do sono. Reluto com fantasmas variados até conseguir fechar os olhos, até então perdidos no finito teto de meu quarto pintado em branco-gelo, buscando, ainda abertos sonhar; imaginando ser o teto que paira sobre meu corpo estirado na cama uma gigantesca tela da vida.

O sono, face à ansiedade foge. Meus olhos inquietantes e cerrados correm de um lado para outro, buscando ao menos sonhos em preto e branco, mas se perdem no vazio do teto; até que novamente o sol dribla a escuridão e vem me avisar que um novo dia chegou.


Saúdo o sol, mas também saúdo os boçais que cruzam meu caminho, pois sei que eles são uma bússola danificada, com serventia apenas para a manada sem rumo, a qual, sequer, entre milhares, imagina que viemos feito para acabar.

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