segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A lua e a ONU

Finalmente apareceu a lua. Depois de semanas de chuva, a lua. Tudo bem que daqui a pouco teremos que decretar guerra contra o mosquito da dengue, mas a lua, minha primeira lua de 2009 deve ser celebrada.

Pudesse enviaria uma bela lua cheia para os habitantes de Gaza. Quem sabe a ONU, o Mundo, observaria genocídio, e não combate, e adotaria as Sanções que desejam a humanidade, que permanece imóvel na poltrona da sala, assistindo via satélite imagens surreais de chuvas de bombas, lançadas sobre a história da luta pela libertação do povo palestino.

Não há combate. Há resistência ao genocídio! Resistência à ocupação promovida pela ONU, que em 1949, com voto do então diplomata Oswaldo Aranha, criou o Estado de Israel. ONU que não garante a paz, que permitiu a farsa da busca por armas de destruição em massa no Iraque.

Não vou entrar na questão a funda contra o fuzil M-16, iniciada em 1987, e terminada com assinatura do Acordo de Oslo, em 1993, e reiniciada com a indesejável visita de Ariel Sharon à Esplanada das mesquitas; quero lembrar o que a grande mídia esquece de abordar: o Muro da Vergonha, muito parecido com o que dividia a Alemanha do pós-guerra.

O que está acontecendo ao povo palestino e demais raças que habitam a estreita Faixa de Gaza não pode ser aceito nos conceitos de uma humanidade que domina a ciência e a comunicação.

Quanto a lua, ela é bela, a ONU que é apagada.

3 comentários:

Valéria disse...

Acho que a "pior parte" é algo que eu comentei quando da invasão do Iraque: Não existe nenhum mecanismo (ou sequer acordo) internacional que possa coibir, ou até mesmo propor, uma saída diferente das armas. A ONU é incapaz, e já demonstrou isso mais de uma vez.
Israel tem a "simpatia" internacional.
Largados à sua própria sorte, os líderes dos demais países da região são incentivados ao fundamentalismo e ao radicalismo. Quando uma hipótese de conversação surge, o líder de tal consertação, é imediatamente "eliminado".
O problema, ao meu ver, é "aquela coisa preta" que jorra na região. Eu sei, porque já conheci pessoas que viveram por lá, que não há mais como definir mais quem é palestino, quem é árabe e quem é israelense (é o mesmo que tentarem definir quem é português, espanhol, índio ou negro no Brasil). Por isso são incentivadas as "fronteiras da religião" em uma área onde as fronteiras DEVERIAM, obedecer religiões (assim como os conflitos entre Índia e Paquistão).

Quem perde com essa ofensiva? Ninguém "importante".... Indústrias de armamentos (agora "multinacionais") lucram. Empresas "da coisa preta", também. As nações que têm interesses nessa divisão - e violência - absurdas, idem. É por isso que vidas são "rifadas".
Eu gostaria de ser otimista e dizer que este será o último conflito que assistirei (é o lado bom da mídia), mas quando vejo as cenas e leio as notícias, sempre lembro de uma pergunta que fiz para um velho coronel que foi "blue cap" no Suez:
Eu perguntei:
- "Será que eles não podem conversar? Até quando vão se matar?"
E ele respondeu (amargamente):
- "Para sempre"

Dofo disse...

Fernando, você e Valéria disseram verdades. E se me permitem gostaria de expor a minha. Acho que se trata de um conflito histórico que foi assimilado pelas pessoas de poder como uma oportunidade de fazer negócio. É incrível como em tempos de "crise" ainda temos países com disposição financeira para praticar genocídios. Gostaria, de coração, que o mundo estivesse enfrentando uma crise...

Telma disse...

Vou "chover no molhado" sobre o que vc e os seus amigos que postaram comentários escreveram... Mas é necessário que se considere que muda o contexto, ou os contextos mudam, mas as finalidades, os objetivos, a mentalidade dominante (ou de quem domina) não muda...
Não sinto muita diferença de sentimentos vendo através da mídia essa "ofensiva" israelense do que senti lendo o livro "Enterrem meu coração na curva do rio"....e assim caminha a humanidade...
E o novo "Hussein" (executaram um no Iraque, e elegeram outro por lá) disse que vai fazer valer o que foi tratado em Oslo...UM estado para ambos os povos...
Aí me lembro de europeus nas Américas, dos recentes conflitos dos Balcãs (que o filme A vida secreta das palavras aborda de uma forma light, sensível) e outros...
A questão não é somente a Palestina....a questão é a épica luta de opressores e oprimidos... Como vi na fala de um filme ontem "Não existirá mais credo, cor de pele, ideais...existirá os que terão dinheiro e os que não o terão...e isso depende de quem souber aproveitar as oportunidades"...
O filme retratava o século XVIII na América...