terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Willian Bonner, a Fátima e a prestidigitação do JN


Algo que não mais suporto, principalmente nesses tempos de fértil produção de canais alternativos de mídia, é o casal que apresenta o jornal Nacional, o William Bonner e a Fátima Bernardes. Por mais que façam caras e bocas, eles não conseguem esconder o lado.

Repare que a abordagem de algumas matérias de interesse coletivo, por exemplo, as que tratam de acidentes ambientais em países subdesenvolvidos, raramente são abordadas pelo casal do JN. No entanto, as poucas noticiadas ocultam os sujeitos, ou seja, as empresas que negligenciam os cuidados com a segurança ou mesmo os países que exploram os recursos naturais da neocolônia; mas se a empresa for uma estatal brasileira, é manchete na certa.

O grave acidente ambiental ocorrido em Nairóbi, capital do Quênia, na edição do último dia 12 de setembro, o casal se esqueceu de abordar que mais de 100 empresas americanas atuam no país e que parte de sua economia está sob o controle britânico, paralelo a redução da participação estatal na economia, mediante a uma agressiva política de privatizações. 

O JN também se esqueceu de noticiar que o Quênia passa por profundas transformações: a classe média sumiu mediante ao crescimento da pobreza em um país que apresenta os melhores índices de desenvolvimento no Continente Africano. Bairros pobres da capital Nairóbi atravessam condições semelhantes à de uma guerra civil. Após o fim da Guerra Fria o Quênia perdeu status de aliado privilegiado, mas ainda mantém bom relacionamento com o Reino Unido e os Estados Unidos. No caso do rompimento dos dutos, possivelmente, as causas estão enraizadas na exploração estrangeira dos recursos naturais do Quênia, mas o casal global só deu flash para os efeitos, e de certa forma, colocaram a culpa no povo que "saqueava" o combustível que contaminava o solo.

Sobre as guerras produzidas pela política externa estadunidense então, o casal do JN ainda quer fazer acreditar nas bombas de destruição em massa de Sadan Hussein, mesmo depois de assistirmos pela rede de televisão Al Jazeera, o Le Monde Diplomatic e blogs afins o saque do petróleo iraquiano pós invasão. Quantos civis foram assassinados? Muitos, certamente. E o alvo agora é o petróleo líbio, com a desculpa de salvar civis, enquanto as ruas da Síria são tingidas com o sangue de milhares de civis. Já referente aos muitos ataques de Israel à Faixa de Gaza, em um dos últimos noticiados pelo JN, o Bonner teve a cara de pau de destacar que o ataque era “ainda em represália ao ataque terrorista ao ônibus[...].

Sobre o aniversário dos dez anos do ataque terrorista ao World Trade Center, o casal faltou destacar também a determinação do povo japonês referente as duas bombas atômicas jogadas pelo governo americano sobre as cabeças do povo civil das cidades de Hiroshima e de Nagasaki, e que o presidente americano Barack Obama continua a política externa de guerra de George Bush, ou seja, se o povo americano deseja que não mais ocorram tragédias como a de 11 de setembro de 2001, deve exigir que seu governo pare de fabricar guerras. Até o mais recluso dos eremitas, sabe das propostas que se escondem por trás dessas guerras.

A questão da ética na política e a democracia brasileira, por exemplo, nunca foi alvo de necessários comentários picantes que externassem o sentimento do público. Desaparecidos políticos da época da ditadura se deduz como tabu no Jornal Nacional. Vez por outra o casal sorrateiramente deixa escapar um holofote, até encontrar uma propaganda institucional que atire erário na concessionária Rede Globo de serviço público. Propagandas que perdem seu importante papel constitucional educador para se perder no prostituto cenário criado para ludibriar uma massa carente de leitores e de telespectadores que ainda acreditam que programas na televisão aberta surgirão em horários acessíveis para agregar conhecimento que levem ao caminho da dignidade humana plena, e que tragam informações com espaço para o contraditório.

Para se salvar das armadilhas mascaradas de verdades apresentadas pelo casal do JN, o qual segue á risca o que determina a “programação”, deve-se buscar fugir da masmorra do: Não penso, não existo, apenas assisto a Rede Globo. Reprograme-se. Não deixe a Globo programar você. 

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