segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O fim do privado monopólio da verdade - A necessária contextualização da Regulamentação das Comunicações

Algumas considerações devemos destacar sobre a infundável defesa de liberdade de expressão da mídia corporativa, quando surge o sussurro de que as assembleias legislativas dos estados se antecipando ao necessário marco regulatório das comunicações estão buscando regionalizar a regulamentação dos instrumentos de comunicação.

O esperneio dos veículos privados acerca de instalação dos Conselhos, traduz o medo de perder o poder de manipular informações, maquiando verdades. O recente reality show no morro do Alemão (Rio de Janeiro) é um exemplo claro de que a comunicação privada busca apenas o sensacionalismo das imagens; ela não está preocupada com as causas, com as soluções dos conflitos, e tão somente, aprisionar nos efeitos o censo crítico do telespectador.

A questão da liberdade de expressão que ela agora defende, poderia ter sido defendida nos anos em que se instalou a ditadura militar (AI-5), no entanto ficou calada, o que de certa forma colaborou para a manutenção do cerceamento às liberdades individuais a época. Portanto, é falácia, essa liberdade que ela agora ecoa. Experimente fazer uso das colunas destinadas a publicar os reclames dos leitores, as famosas “Colunas de Leitores” e verá a mutilação de sua comunicação: uma censura de verdade. Lembre-se: à medida que sofremos com os serviços públicos, aumentan-se o número de propagandas institucionais, as quais levam desconhecidos valores do erário.


A bandeira de igualdade é outro absurdo: sempre quando há figuras do Sistema envolvidos em escândalos, esse mesmo poder que puxou para si a estrela de xerife da informação, do monopólio das verdades, criam as tais reportagens especiais: aqui, os envolvidos na Operação Naufrágio foram noticiados em “matéria especial”, e algumas vezes, nas páginas destinadas à política. Se fosse o Zé Pernambuco da Silva, mesmo sendo apenas suspeito, estaria com sua história e face ilustrando as páginas policiais. E o Zé desconhece a súmula vinculante que limita o uso de algemas.

Nas condições atuais de caos dos valores humanos, podemos, tranquilamente, repassar para os privados meios de comunicação grande parte da responsabilidade. Pois no geral, quem está influenciando as futuras gerações com despertar precoce para a sexualidade e a violência é essa incontrolável mídia, em especial, a televisiva, a qual apresenta programações que nada agregam de valor ao futuro do país, da humanidade, e o pior: grande parte desse lixo patrocinada com propagandas institucionais: o dinheiro público financiando nosso emburrecimento.

Estamos, nós, sociedade brasileira, muito vulneráveis a esse arsenal que dita cultura, elege ideologias, idiotas, ou grupos para se firmarem na dominação maciça de grande parte da população brasileira. Enquanto que na Europa e nos Estados Unidos é proibida a veiculação de propagandas infantis no canais abertos, aqui, o Zé das Couves e a Maria Mulata, depois de um dia inteiro de sacrifício, ao chegarem em casa são surpreendidos com o pedido do desnutrido filho que deseja um tênis que promete fazer dele um craque, igual o Ronaldinho. E o desejo de consumo fica no pesadelo de ver o filho escalado de avião do tráfico.

Os serviços de comunicações são responsabilidade do Estado, que outorga permissões, as quais devem ter um contrato contextualizado com o poder que a mídia exerce atualmente, não uma regulamentação emitida em 1962.

E permanecemos presos as verdades privadas e monopolizadas desse incontrolável poder, que não considera, principalmente, as diversidades culturais de um país com dimensão continental.

Um comentário:

- disse...

E tenho dito! Este é um país em que nem tudo que se fala ou se escreve corresponde a uma aproximaçao do real. Trata-se de enganar o povo em sua mentalidade de massa. E, lembremos que: "vocês que fazem parte dessa massa...EEEE! Vida de gado, povo marcado, povo feliz!"