quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Levando você no ônibus

Nesses tempos de multidão muda, de óculos escuros mesmo no escuro, com fones que impedem o diálogo, permito-me celebrar o discurso do pedinte, mesmo sentido reprovação nos quase mudos corpos acomodados nos assentos.

Vai uma jujuba? Duas por um real.

Nem sim, nem não. Ninguém diz nada. Poucos se limitam a devolver o “convite” à $olidariedade, sem retirar o fone entupidor, ou melhor, destruidor de tímpanos; a maioria se recusa com auxílio dos óculos da indiferença.

Nada de riso ou raiva estampa no rosto do acomodado no assento. Mesmo se estivesse de pé, os óculos escuros com imagens pintadas nas lentes o leva para bem distante da encardida receita azul, que mais um pedinte tenta trazer à luz; só observa o escuro colorido fixado na lente, que vê vermelho, azul e amarelo, só não enxerga o elo.

Pior do que a mudeza da multidão é o sentir-se só na batalha dos moinhos que não são mais de vento, são da fragilidade do espírito, da carne e do osso surgida a cada oportunidade de melhora do dia seguinte. Mas ninguém observa as oportunidades surgidas na existência de todos os dias e horários que senta-se ao seu lado.

Fale o desnecessário! Não ligue para o aviso mal educado pintado no degrau para que diga só o necessário. Diga bom dia! boa noite! e, principalmente, como vai?! Precisamos ouvir, de preferência enxergando o que o corpo diz.

Um comentário:

telma disse...

"não importa o silêncio de todos os outros,

o importante é que tu sejas a voz dos inocentes"

a voz do amor é mais forte ,que o silêncio dos indiferentes...

fONTE: http://coracaodacidade.blogs.sapo.pt/62114.html

Querido Fernando, andei pensando e até escrevendo sobre essa e outras questões, e nuamdas minhas andanças pela net, encontrei a citação acima, que acredito seja no momento o melhor comentário que eu possa tecer-lhe, pois estou "cansada do cansaço das pessoas", estou farta de ausências, estou exausta dos grilhões ocultos na aparente apatia dos seres humanos (fazendo trocadilho de suas palvras sobre oculto do aparente.....rs)
É isso,
Abç!