terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eucalipto - A ameaça verde da celulose

Novamente, com ajuda do BNDES, a expansão das plantações de eucalipto que sufoca nossos bosques, está de volta. Nossa outrora exuberante mata atlântica, agora fragmentos de mata nativa novamente sentirá a ameaça das árvores perfiladas que sustentam a indústria de celulose e que também financia democracia via financiamento privado de campanhas.

Quando ouvi que a Aracruz Celulose havia quebrado no colapso financeiro planetário, que acredito, foi um colapso mais ambiental, pensei que nossos bosques, aqui no feudal estado do Espírito Santo, ainda com vida, pudesse se refazer da agressão imposta pela monocultura do eucalipto.

Mas o eucalipto voltou, mesmo com uma dívida de US$11 bilhões, quantia que quebraria qualquer empresa no planeta, ele está de volta para exportar celulose para a Europa e outros países desenvolvidos, que destinam 87% do importado para material publicitário.

A FIBRIA, fusão da falida (?) Aracruz Celulose e a Votorantim celulose e Papel (VCP), segundo informado em A Tribuna (14/01), reiniciará em 2010 o projeto de expansão de produtividade, iniciado em 1990 pela Aracruz Celulose com a denominação fomento florestal. O projeto anterior, pelo que se observou à época tinha como cerne a sedução de pequenos agricultores, sem aprofundar os impactos ambientais pela introdução das espécies exóticas ao nosso meio ambiente.

Em outubro de 2009, passeando pelo cyberespaço me deparei com informações sobre as plantações de eucalipto no Quênia; a que mais me chamou a atenção foi à ordenação de retiradas das árvores de eucalipto das zonas úmidas e ao longo das bacias hidrográficas pelo ministro do meio ambiente, John Michuki. Ao mesmo tempo, a Nobel da Paz, catedrática Wangari Maathai, com apoio dos estudos do Centro Internacional para Pesquisa em Agroflorestamento (ICRAF) alertou sobre a natureza sedenta dos eucaliptos, instando a proibição de plantar espécies exóticas, em especial o eucalipto, que em Kikuyu, sua comunidade natal, recebeu o nome de munyua mai, que significa beberrão de água.

2 comentários:

História Corrente disse...

Nandão...remando contra a maré ...

eu vejo a questão dos eucaliptos como vejo a questão dos índios... é remar contra a maré de poder autoritário que só visa o lucro independente das consequências.

um dos motivos que levaram à escassez de alimentos durante a Idade Média, foi exatamente o esgotamento do solo...

Naquele tempo, quem tinha terra tinha o poder... e como hoje, nunca se preocuparam em melhorar as técnicas de cultivo, quando esgotava-se o solo, anexavam mais áreas para o plantio até chegar ao momento de esgotamento total gerando a grande fome e grande crise... acompanhada de pestes.

Percebe-se então que depois de tantos anos, a mentalidade continua predatória, continua visando a exploração máxima em detrimento a questões ambientais seríssimas .

A conscientização da população em relação a estes riscos ambientais é importantíssima, mas quando percebemos que a divulgação de tais fatos não surtem o efeito desejado, sinto-me como eu disse antes...remando contra a maré...

talvez quando as crises chegarem com força total, a escassez de água, de alimentos, esgotamento do solo... enfim, quando tudo estiver perdido... o ser humano acorde... pena quer será tarde demais, pois não há novas terras para empreendermos uma nova "expansão marítima"...

desta vez o mundo inteiro, o planeta está comprometido...

rsrs... pensei por um instante em marte..rsrsrsrs

Fernando "de La Mancha" Magno disse...

Pois é...rs Entendo, mas acredito que viemos de Marte e agora estamos aniquililando mais uma belezura de planeta, até ver uma nova saída para a imbecilidade e avaçarmos no infinito do Cosmos...rs