terça-feira, 7 de abril de 2009

Olhando pela fresta: O Senador Renato Casagrande e a palestra sobre Reforma do Código Penal Brasileiro, na FAESA.

A esperada palestra do senador Renato Casagrande na FAESA não teve o brilho da platéia que lotou o auditório, na espera de propostas esclarecedoras, em cena o Código Penal Brasileiro. Com uns cinco minutos de fala do senador, o brilho da platéia foi se tornando opaco, até a escuridão do fechar da cortina das pálpebras, num ressonar de tédio. Por instantes não observei o senador, mas sim um político à moda antiga, que lança discursos vazios, acostumado com um público às avessas do cotidiano.

O senador, na realidade, fez do debate, ou sei-lá-o-quê, seu palanque. Vi um discurso voltado apenas para os efeitos, esqueceu as causas propositalmente.

O fato de ele ter lhe autoconcedido mais dez minutos para completar os improdutivos 30 minutos, foi de uma deselegância com os que ainda brilhavam na platéia.

A linha da fala dele possibilitava o troco. Estava pensando a oportunidade que ele estava nos dando para debater sobre o Direito político, a sonhada Reforma Política, e nada falamos; ficamos mudos diante de um político, que desconhece que o povo pensa.

Os noticiários rotineiramente estampam os escândalos envolvendo a coisa pública, e ficamos mudos diante do senador da República Federativa do Brasil. Era a oportunidade para lhe perguntar sobre o financiamento público ou privado da democracia; os escândalos da Camargo Correia financiadora de democra$$ia, e também responsável pela interditada obra de construção do aeroporto de Vitória.

O senador desconheceu a inteligência dos que ali estavam presente, quando caolhamente, abordou somente os efeitos dos delitos, as ações públicas que desconhecemos de combate ao crime, ou mesmo, da fantástica arma que não mata, apenas imobiliza. Deve ser uma arma e tanta. Bem que poderiam fazer uso em Brasília.

E nem a manifestação de uma sílaba, louca para se transformar em dissílabo de indignação, perante o discurso vazio do senador. Podíamos perguntar sobre a comentada “mainardimente”, Operação Royalties, desenvolvida pela policia federal, que segundo o comentário, inclui o nome de Victor Martins, presidente da ANP , em investigação, que pelo visto, só o Diogo Mainardi sabe.

Mais que a Reforma do Código Penal, Código este que não cuida das causas, apenas os efeitos colaterais, precisamos resgatar a ética na classe política brasileira. A falta de moral no trato com a coisa pública, é o que permite imaginarmos que a reforma do Código Penal, se possível, devia se basear somente no Código de Hamurabi, vistos os exemplos citados pelo senador.

A palestra foi razoável, poderia ficar melhor, com democracia; com espaços para a comunidade acadêmica em geral contribuir para o processo de esclarecimento de problemas do cotidiano. Fiquei quase até o fim, digo quase, pois saí antes das palmas. Embora eu quisesse falar, mas não dava mais tempo, uma prova de filosofia me aguardava. E fui, com a imagem do senador acorrentado na caverna.

5 comentários:

Marcelo Caliman disse...

Aê, Fernando. Boa. Vc viu a Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou e o governador sancionou o novo Código Florestal Estadual reduzindo para 5 METROS A FAIXA DE PROTEÇÃO VEGETAL DOS RIOS E MANANCIAIS HÍDRICOS? Pois é.

Telma disse...

Meu querido amigo Fernando, vc achou mesmo que seria possível todas essas coisas que vc de modo quase poético "ajuntou nas letras" acima???
Creu por algum momento que um político partidário, representante do Congresso abriria o debate para a sociedade acadêmica, só por ocupar o espaço da mesma? Para uma piscadela de aparição pública e uma tentiva (não se sabe até onde frustrada ou bem sucedida) de promoção de imagem gratuita o debate acadêmico e a abordagem de temas mais complexos e relevantes como os que vc cita, o desgaste não valeria a pena....
Ele (s) não pensa que está diante de uma platéia que "não pensa", eles têm certeza disso (pelo agem como)....
Espero que a prova de filosofia tenha sido melhor.....

Dofo disse...

O discurso desses caras é tão manjado, né Fernando? Ainda bem que você foi fazer sua prova de filosofia, pois escutar esse pessoal é perda de tempo!

Paulo Vitor disse...

Apesar da demora do comentário creio que é válido o meu indignamento ocm a mediocridade da palestra do senador.COm cinco minutos de palestra percebi que o código penaera um simples pretexto para o Casagrande fazer campanha política(e diga-se de passagem mal feita) desconsiderando que na platéia estavam pessoas críticas e atentas ao seu depoimento.Era melhor ter deixado o "presidente" da mesa se não me engano o professor Donat ter discurssado pois este sim relatou questôes sobre o tema.Enfim Fernando, acho q a prova de filosofia conseguiu ser melhor do que a falácia do senador rsrs.

Paulo Vitor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.