segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

1, 2, 3... Som

Acredito, que a maior façanha do homem desde o seu nascimento é a fala, a arte de se comunicar. Quando o/a neném começa a balbuciar no enrolar da língua sons incompreensíveis; para estimular tentamos imitá-lo/a, como forma de acelerar seu aprimoramento na comunicação. Quando ele/ela solta os primeiros “gu-gus” e “da-das” a alegria inicia o processo rumo ao êxtase do “pa-pa” e “mam-mam”; até o “au-au” é celebrado.

Mas essa façanha corre perigo! Nos dias atuais, em que a comunicação, nas mais variadas formas de parafernália digital se encontra ao alcance da maioria, observamos, que estamos, com os “entupidores” de ouvidos saídos dos smartphones ignorando a comunicação com o próximo, com o vizinho; embora, contudo, acessa-se todo o globo, traduzindo línguas e dialetos.


Sobre, deixo minha fértil imaginação prever que em breve, celebraremos o reencontro do homem adulto com a sua fala; profecia encontrada em pequena tira da importante obra de Simon & Garfunkel, na canção The Sound Of Silence (O Som do Silêncio), que alerta: “Tolos eu disse: vocês não sabem, silêncio é como um câncer que cresce...”.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hora do recreio, Brasil

Desde 1º de janeiro estadunidenses residentes no estado do Colorado já podem consumir legalmente cigarros e outros produtos derivados da Cannabis. A legalização do uso recreativo dos cigarros já ocorre na Califórnia e dentro dos próximos seis meses será estendida ao estado de Washington. A lei aprovada libera a comercialização em “Coffe shops” de até 28 gramas do “produto” à maiores de 21 anos, sendo que seu consumo para efeitos terapêuticos já é legal em 19 estados. 

Enquanto que na América Latina nosso (?) corrupto Brasil se mantém preso em um conservadorismo medieval, destoando dos demais. Chile e Argentina liberaram o cultivo caseiro da maconha, e recentemente o Uruguai de Pepe Mujica se apresenta na vitrine. Parece-me que estamos mais próximo do Sudão e da Tanzânia do que do Uruguai, com seus quase 100% de índice alfabetizados. 

A sociedade, só evoluí, quando esta, é livre e usa seus direitos com consciência. Pensar que a forma repressora do Estado é a solução para nossos males, é alimentar o sectarismo que nos consomem desde as caravelas quando aqui chegaram com a cruz e o canhão. 

Infelizmente, o povo brasileiro não é ousado, e seu (?) conservadorismo alicerçado em uma ditadura do medo bloqueia mudanças, como que satisfeito com o chicote que não vira o lado. Essa cultura do medo explica a democracia imposta, sustentada na chantagem do estômago, a qual nos impede enxergar a porta da liberdade de escolha.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Valsando a vida

Tem dias em que mesmo após abrir os olhos e fazer um lento espreguiçar, todo o meu corpo implora para não sair da cama, talvez para adiar o meu encontro com a manada de boçais que recheiam a rotina da minoria desperta.

Algumas vezes a energia para levantar é antecipar o assassinato do dia; pensando na noite, o retorno, o abrir da cela da doce prisão de sonhos depois da aceleração do dia.

Na prisão busco o clic do sono. Reluto com fantasmas variados até conseguir fechar os olhos, até então perdidos no finito teto de meu quarto pintado em branco-gelo, buscando, ainda abertos sonhar; imaginando ser o teto que paira sobre meu corpo estirado na cama uma gigantesca tela da vida.

O sono, face à ansiedade foge. Meus olhos inquietantes e cerrados correm de um lado para outro, buscando ao menos sonhos em preto e branco, mas se perdem no vazio do teto; até que novamente o sol dribla a escuridão e vem me avisar que um novo dia chegou.


Saúdo o sol, mas também saúdo os boçais que cruzam meu caminho, pois sei que eles são uma bússola danificada, com serventia apenas para a manada sem rumo, a qual, sequer, entre milhares, imagina que viemos feito para acabar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Consciência Negra - descredenciados pelo Sistema

Dias desses, no interior de um ônibus, vi um menino indagando o pai sobre heróis. Em uma das frações do diálogo o menino perguntou ao pai se no Brasil tinha algum herói para vencer o Homem de Ferro? Aparentemente, o pai, para não contrariar o filho, encheu a bola do tal Homem de Ferro; como um especialista em HQ esmiuçou todos os seus super poderes tornando o herói imbatível. E vi no menino um certo brilho de júbilo, talvez por ter em casa vários bonecos do imbatível herói.

A cena trouxe-me certa perturbação... Será que não temos heróis no Brasil para apresentar as futuras gerações? Como estamos na semana da Consciência Negra, vamos a um breve resgate: A Revolta da Chibata e nosso brasileiro herói João Cândido Felisberto, o Almirante Negro e a marujada negra dos encouraçados Minas Gerias e São Paulo.

O Brasil no auge do ciclo da borracha e do café investia pesado no fortalecimento da esquadra brasileira, mas faltavam marujos para fazer o trabalho da ralé. A Revolta da Chibata, acredito, seja o divisor de água da Marinha de Guerra do Brasil. Não fosse ela, a marujada, comandada por oficiais oriundos somente da aristocracia, até os dias de hoje seria capturada a força nos guetos e prisões desse Brasil e confinados em prisões flutuantes “doutrinados” pelo açoite da chibata.

A chibata era “herança” portuguesa nas forças armadas. A marinha de outros países e até o exército brasileiro já tinha abolido a prática da chibata como castigo disciplinar. Foram inúmeras as tentativas de eliminar esse aviltante castigo. Em 1865 a Câmara dos deputados apresentou um projeto que sugeria a substituição do castigo físico por descontos no soldo, mas a Marinha do Brasil não aceitou.

Em 1883 um novo pedido foi feito, fixando em 25 chibatadas o castigo. Com a República em 1889, um dos primeiro atos do governo foi abolir a chibata, mas a abolição ficou só no papel. O fim do castigo só veio em 1910 com a revolta dos marinheiros. O estopim foi a aplicação de 250 chibatadas no marujo Marcelino Rodrigues.


Salve João Cândido e Francisco Dias Martins, o Mão Negra! Salve, salve o jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar! Salve Chico Prego! Salve Anastácia e Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho! Salve Solano Trindade, André Rebouças e tantos heróis e heroínas que deram razão à vida pela dignidade humana.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Leilão do Campo de Libra, o assalto do século

Outubro de 2013 certamente será o mês que entrará para a história da rapinagem do patrimônio da nação brasileira. Acredito que o leilão do pré-sal do Campo de Libra, será, depois do "descobrimento" o maior roubo da história de nosso rico Brasil; gerações serão sacrificadas por conta da gula de governantes focados em obter dinheiro rápido para alimentar o superávit primário, visando amortizar os juros da Dívida.

Em recente audiência pública conjunta, as Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) ouviram dois especialistas em exploração de petróleo, que trouxeram argumentos favoráveis ao cancelamento do mega leilão do Campo de Libra previsto para este mês.

Foi abordado na audiência desde o software OpenWells utilizado pela Petrobrás para a compilação de dados geológicos pertencente à Landmark; empresa que faz parte do conglomerado de empresas Halliburton, com atuação na produção de petróleo e na indústria bélica e teve forte participação na guerra do Iraque, chegando à Convenção Internacional de Direitos do Mar que prevê zona econômica exclusiva até 200 milhas.

Os EUA não são signatários da Convenção, pois aceita somente 12 milhas de exclusividade, o que coloca a reserva do pré-sal do Campo de Libra em águas internacionais. Sobre, é importante lembrar a reativação pós-hibernação de 58 anos da 4ª Frota da Marinha Americana ocorrida durante o governo de Bush júnior; certamente, após confirmado as pesquisas dessa mega área petrolífera. Pelo fato do Campo de Libra se localizar bem acima dessas 12 milhas, talvez seja esse o real motivo da não participação de empresas estadunidenses no leilão; embora não possamos ignorar seus braços europeus que funcionariam como cortina por conta da recente espionagem na Petrobrás.
4ª Frota Americana


O petróleo encontrado no Campo de Libra é estimado como sendo a maior reserva descoberta nos últimos 20 anos em todo o mundo. Calcula-se que a produção poderá atingir o ápice de 300 bilhões de barris. Recursos que serviriam a três gerações de brasileiros. O Campo de Libra poderia ser declarado área estratégica pelo governo conforme prevê a Lei Nº 12.531. Se isso ocorresse a União poderia contratar diretamente a Petrobrás, dessa forma estaria garantido o futuro de gerações. Mas cadê a coragem para enfrentamento das forças nem tão ocultas que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O petróleo do Brasil pertence ao povo brasileiro

A farra, ou melhor, o abandono das bandeiras históricas permanece nesses quase 13 anos de governança do PT (...). A liquidação das riquezas, patrimônio do povo brasileiro permanece de forma irresponsável com o engodo de que o dinheiro arrecadado será para sarar feridas históricas da grande massa. O governo do PT alega que as vendas, agora sob o rotulo de leilões e de concessões, que tanto criticava na era tucana, é por que não dispõe de recursos necessários para investir em áreas sensíveis. Contudo, enquanto dilapida o patrimônio do povo brasileiro, mantém intocada a lei 9.530/1997, promulgada no governo do tucano-chefe Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual, todos os lucros oriundos das estatais distribuídos à União devem ser destinados ao pagamento da Dívida Pública.


Temos agora para outubro mais um grande saque a Nação, que será o leilão de petróleo do Campo de Libra. Será a 11ª rodada de leilão das bacias petrolíferas. O valor arrecadado, chamado “bônus de assinatura” será todo destinado ao superávit primário, ou seja, destinado ao pagamento da dívida pública, sendo importante lembrar que o Brasil, o povo, desconhece os credores.

As empresas que arrematarem os 289 blocos terão 30 anos para explorar. Calcula-se que a União arrecadará com o leilão 2,8 bilhões de reais, muito aquém dos 10 a 13,5 bilhões de barris estimados, com valor aproximado de 2 trilhões de reais.


Importante lembrar que parte do arrecadado em royalties do petróleo têm sido destinado para o pagamento da Dívida, em violação às leis que destinam tais recursos para áreas como meio ambiente, ciência e tecnologia. Um escândalo que passou batido foram os 20 bilhões dos royalties pertencentes à União que em 2008 foram indevidamente destinados à amortização da Dívida. Operação que chegou a ser considerada irregular pelo TCU.


Precisamos urgentemente debater essa farra irresponsável nos ambientes que frequentamos: em casa; no trabalho e sindicato; no buteco; na igreja; etc. A engenharia de entrega do patrimônio nacional para enriquecimento explicito e imoral de grupos nacionais e estrangeiros tem como engrenagem principal o financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que a juros baixíssimos têm favorecido a “aquisição” do patrimônio público: o Tesouro emite títulos da Dívida Pública com os juros mais elevados do mundo e repassa recursos ao BNDES (...).


Somente uma grande mobilização popular para frear a gula do capital sobre o patrimônio do povo. Vamos todos à luta, para que em outubro, ás vésperas do “assalto” ao petróleo do pré-sal, Brasília sinta a força que virá de ruas e praças de todo ainda rico Brasil!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Brasil à venda


Quem dá mais por um país localizado ao sul do Equador? É lastimável ver o nosso Brasil fazendo tour global de pires na mão esmolando para economias em colapso, enquanto observamos que nosso modelo de política econômica, sustentado à exportação de produtos primários (agricultura e extrativismo mineral) permanece a mesma desde as últimas décadas do século XIX.

Idêntico aos governos de pensamento neoliberal, os últimos governos brasileiro rodam os cinco continentes na tentativa desesperada de vender as vantagens de nossa terra. Cabrais chegam de todos os continentes para ver o que ainda pode ser explorado a preço de banana aqui na terra brasilis.

A entrega é total. Pode chegar rapineiros do século XXI, aqui vocês tem isenções fiscais, e ajustes constitucionais para ficarem a vontade na rapina.

A prioridade cega então concedida aos interesses do agronegócio tem anulado o papel social enraizado na agricultura familiar; por isso que os produtos que chegam à nossa mesa estão a cada dia impagáveis; a farinha nossa de todos os dias, por exemplo, esta custando atualmente quase R$5,00/k. E não adianta reclamar do preço do tomate; melhor é renovar a dieta com roletes de eucalipto assado ao molho de mamona.E o governo, pouco ou nada faz para reverter essa tendência destruidora do patrimônio nacional. E assim como a mídia empresa, busca esquecer o MST.

A voracidade do capital estrangeiro, observada nos afiados e reluzentes caninos que dilaceram qualquer reação de nossa autonomia econômica e industrial deve ser as condicionantes dos estrangeiros que pingam em nosso pires, que em contrapartida, recebem generosas renúncias fiscais, brindada costumeiramente com a engenharia financeira do Banco “NACIONAL” de Desenvolvimento, com custos praticamente nulos para os agentes do imperialismo que aqui aportam para explorar atividades econômicas de natureza pública. A qualidade dos serviços de energia e de telecomunicações, mais a desenvoltura das Agencias Reguladoras estão aí para quem quiser refletir.

Se o Brasil é o oásis no deserto econômico mundial, nossa postura devia ser mais soberana, afinal, oportunidades não faltam para dizer ao mundo que aqui não existe servilismo. Mas quando saímos por aí de pires na mão, acredito, estamos reafirmando nossa lógica neo-colonial.


Fábio Porchat - Pega a visão

Reforçado pelo brilhante e esclarecedor vídeo do ator Fábio Porchat, Revelando: Grandes igrejas, Master negócios . Resolvi, diante da urgênc...