terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viver e não ter a vergonha de ser feliz (...). Por favor, desprogramado.

A misteriosa morte! O apagão final, o desligamento total. Sei que não é assunto de interesse dos vivos, já que significa o outro lado da moeda; independente de ser cara ou coroa ela existe. Talvez mais que a vida que muitos deixam de celebrar presos no abstrato futuro, ou ao passado, passado.

Choro pago. Pagaria por um choro de lamento só para destacar o adeus final? E quanto mais carregado o choro e os soluços, mais importante é a perda, tanto em cifrão, quanto em lembranças de sonhos que jamais se materializarão.

No rito do sarcedote vestido de negro, com capuz sombreando os olhos, empunhando uma foice diabo torto, abastados contratam folclóricas carpideiras, que despejam um rio de lágrimas, mesmo desconhecendo a história do defunto, que deitado se encontra, com viva maquiagem, enquanto os sem posse só lamentam o custo; pudesse escolher, desejaria um crematório público.

E perdemos. Perdemos o cheiro, o riso do ente que se vai, e não nos damos conta, de que a vida, que é um presente, se esvai na absurda irracionalidade da competição dos tolos que nem se dão conta que nasceram vencedores no gozo profundo que fecundou o óvulo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Levando você no ônibus

Nesses tempos de multidão muda, de óculos escuros mesmo no escuro, com fones que impedem o diálogo, permito-me celebrar o discurso do pedinte, mesmo sentido reprovação nos quase mudos corpos acomodados nos assentos.

Vai uma jujuba? Duas por um real.

Nem sim, nem não. Ninguém diz nada. Poucos se limitam a devolver o “convite” à $olidariedade, sem retirar o fone entupidor, ou melhor, destruidor de tímpanos; a maioria se recusa com auxílio dos óculos da indiferença.

Nada de riso ou raiva estampa no rosto do acomodado no assento. Mesmo se estivesse de pé, os óculos escuros com imagens pintadas nas lentes o leva para bem distante da encardida receita azul, que mais um pedinte tenta trazer à luz; só observa o escuro colorido fixado na lente, que vê vermelho, azul e amarelo, só não enxerga o elo.

Pior do que a mudeza da multidão é o sentir-se só na batalha dos moinhos que não são mais de vento, são da fragilidade do espírito, da carne e do osso surgida a cada oportunidade de melhora do dia seguinte. Mas ninguém observa as oportunidades surgidas na existência de todos os dias e horários que senta-se ao seu lado.

Fale o desnecessário! Não ligue para o aviso mal educado pintado no degrau para que diga só o necessário. Diga bom dia! boa noite! e, principalmente, como vai?! Precisamos ouvir, de preferência enxergando o que o corpo diz.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por favor, uma safena - o visualizar do oculto na farra de obras contra$tante$

A dominação no estado do Espírito Santo por parte das forças que o governam é fato. Essas “invisíveis” forças não nasceram no governo anterior, nem tiveram seu funeral no atual; elas estão enraizadas na cultura de uma privilegiada minoria, desde muitos governos passados. Vivemos de certa forma, dois mundos: um sentido, e o outro visual; um que se apresenta com oportunidades, e outro que assassina a esperança.

Repare na quantidade de efeitos especiais que anestesia sua opinião a cada intervalo do programa que te desprograma na tevê; e você não sabe a cifra, sabe apenas que os corredores dos hospitais públicos estão com doentes. Talvez não, a televisão não mostra mais. Vemos a cada intervalo somente a ponte. Que ela vai ser o novo postal da cidade e que será mais um orgulho capixaba.

Poucos são os que escapam, e conseguem enxergar através dessas propagandas que rompem os nobres intervalos. E ninguém diz quanto foi; quanto gastaram. Não o gasto com a ponte, ela já está feita mesmo, mas com as propagandas da nova ponte que ligará a Capital ilha cheia de cores com o novo Espírito Santo que vê envelhecer os problemas de saúde do povo que pisa sobre o petróleo.

Talvez por isso prevaleça a cor preta. Preta da cor do céu pulverizado do pó preto que estenderá sua ameaça para as praias do litoral sul. Contudo, a informação de que a qualidade do ar está ótima ocupará o intervalo do poder que defende a liberdade de expressão, embora ele nos impeça de sentar a mesa para uma conversa de fim de dia em família.

Os escassos fugitivos dessa matrix institucional conseguem enxergar o poluído fundo escuro que reflete a ponte postal, que logo receberá um nome iniciado com letra maiúscula. E a mistificarão como se ela fosse a ligação para alcançarmos desejos urgentes de resgate da nossa minúscula cidadania.

E de propósito nos fazem esquecer de que não há mais oposição no processo político, nem renovação; que escutar do avô senador, pai do filho deputado de que o neto está no caminho certo é comum nesses tempos de pragmatismo político. Incomum é ouvir que precisamos oxigenar a política, que precisamos saber o custo dessas propagandas pagas com dinheiro público.

Plim, plim

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Espelho quebrado

Culpamos o mundo, o destino e até mesmo as Escrituras, mas esquecemos do principal culpado por nossos fracassos: o reflexo do espelho. Domingo (09), ao descer da região serrana, como de costume, mais um veiculo cortou reto na curva e despencou com sua carga, numa, das muitas ribanceiras da BR-262, e também como de costume, lá estavam os saqueadores de cargas.

Incrível como existem felizes com a desgraça alheia. Em julho, também na BR-262, na altura da ponte sobre o Rio Cavalo, próximo a Pedra azul, também observei o saque da carga de um caminhão; e o mais absurdo: o riso bestial estampado na face dos saqueadores.

Especificamente no saque de domingo, chamou-me a atenção que alguns saqueadores eram pais retornando do almoço comemorativo ao Dias dos Pais nos restaurantes e hotéis da região. Um exemplo e tanto que alguns estavam dando para os filhos que observava o pai herói retornando bandido com a carga roubada.

Depois culpamos os políticos, o tal Sistema, sem enxergar o reflexo do espelho.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rastreando o boi para salvar o planeta

A queda no preço interno da carne bovina não é decorrente da crise econômica e sim ambiental. As grandes redes de supermercados, com nota também assinada pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), anunciaram a suspensão da compra de produtos bovinos vindos da Amazônia. Segundo foi divulgado pelo Greenpeace, na onda da pressão mundial para combater o desmatamento na Amazônia, o Banco Mundial cancelou um empréstimo concedido ao frigorífico Bertin um dos maiores do Brasil.

O Greenpeace também divulgou que grandes marcas de calçados anunciaram que não comprarão couro oriundo das áreas de desmatamento, dando destaque também para o frigorífico Mafrig, considerado o quarto maior do mundo, que divulgou à fornecedores que não adquirirá animais de áreas desmatadas.

Pelo visto, a queda do preço da carne bovina tem origem a não exigência da certificação dos produtos em nosso comércio interno, ao contrário dos nossos importadores, que por pressão dos clientes lá de fora, fazem exigência da certificação, que se traduz no rastreamento do produto consumido.

O dia em que atingirmos o grau de responsabilidade socioambiental tão necessário no mundo da avalanche tecnológica, exigindo certificação dos produtos consumidos, de forma individual estaremos contribuindo para melhoria da saúde de nosso planeta.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

MP-458: a traição

Mudaram as ideias ou ser camaleão é fundamental para maior permanência no poder? No cenário político atual, no jogo do poder, os inimigos de ontem hoje são amigos porque os tempos mudaram, ou são amigos por que é preciso repartir?

Os que condenaram no passado as políticas neo-liberais privatizantes, por exemplo, a mau digerida privatização da Vale do Rio Doce, que gritavam o petróleo é nosso, continuam o processo de entrega do patrimônio público, dessa vez sem ecos de oposição. E fica a pergunta que não quer calar: sob que bandeira? Os tucanos usaram a da globalização, enquanto que o "PT das antigas" saía às ruas defendendo o patrimônio público, moral, ética e umas tantas e tantas vezes o “Fora Sarney!”

Antes era comum identificar o idealista de esquerda: vestia camiseta vermelha, os homens, no geral, faziam uso de barba; já os “almofadinhas” da direita, sempre no terno e militarmente barbeados. Hoje, todos usam Armani, e de forma silenciosa estão entregando 67 milhões de hectares públicos para exploração privada. Superfície na extensão dos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro entregue à exploração privada sem debate público.

Ouvi da ex-Ministra Marina Silva que pela MP-458 sete por cento dos 67 milhões de hectares atingirão a maioria dos assentados, os 93% restantes destinados à minoria. Meio que alucinante a controversidade dessa divisão, mais falamos do Brasil.

A carência para vender a terra legalizada é outro esculacho com a inteligência do povo: para as grandes propriedades o prazo é de três anos, ou seja, 36 meses para privatização, já que neste início da Medida não entrará pessoa jurídica; já para as pequenas, 10 anos.

A Amazônia não pertence ao estado do Amazonas e nem ao Mato Grosso que vai engolindo a selva com seus vastos campos de soja. Também não pertence ao Equador, nem ao Peru e aos demais que aglomeram a Amazônia equatorial.

A floresta é o maciço de equilíbrio da vida nas Américas, um exemplo muito costumeiro está na precipitação pluviométrica ocorridas nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil, portanto, patrimônio de todos, no caso da MP-458, pertencente ao povo brasileiro. Sua venda, sua entrega ou doação, só deveria ocorrer mediante plebiscito.

O planeta Terra é um corpo vivo; a Amazônia sua pele, protegendo o coração água. E nem um alvoroço no Alvorada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Psiu

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. Essa profunda reflexão do líder Martin Luter King Júnior que abre meu blog ecoa há décadas, então nos damos conta de que, embora alguns escrevam, outros sequer leem; todos permanecermos mudos. E o mal avança.

É normal permanecer sentado frente ao telejornal, enquanto estouram mais um, dos mais de 300 atos secretos da mesa diretora do Senado. Neto e sobrinha do Imortal, pela Academia Brasileira de Letras, senador José Sarney, nomeados para a instalação da dominação familiar de um dos principais pilares dos poderes do Brasil, tudo de forma sigilosa.

Por que sigilo se as coisas saltam aos nossos olhos e nem um grito? Sequer o brado retumbante que querem que acreditemos. Hoje Sarney. Ontem foi quem mesmo? Foram tantos desde o Pau Oco. E nos silenciamos frente à fogueira.

O silêncio é o mais forte aliado da instalação de acomodação do “enquanto sobrevivente”; enquanto eles vivem e se proliferam, alimentados por um silêncio com um arsenal repleto de gritos.

Mas ninguém grita. Alguns até escrevem, mas a maioria não tem tempo para ler; e o mal tem pressa.

Fábio Porchat - Pega a visão

Reforçado pelo brilhante e esclarecedor vídeo do ator Fábio Porchat, Revelando: Grandes igrejas, Master negócios . Resolvi, diante da urgênc...