terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cartas adotadas

Sobre as cartas de pedidos de presentes a papai Noel, eu não adoto. Você tem o direito de discordar do meu raciocínio, como eu discordo dos que adotam cartas, e permanecem no anonimato à luta do riso extenso.

O que é mais importante? O riso da criança ou o sentir de dever cumprido do coração doador? Muitos alegam que o sorriso da criança é o que importa. Mas passado o Natal, na ressaca dos mais 365 dias do ano que se inicia, no semáforo da esquina de pivetes famintos, fecham os vidros do carro para se isolarem do mundo, até o próximo Natal. É, talvez seja uma forma encntrada de autoabsolvição.

Infelizmente, ou felizmente, tudo depende da janela. Não alimento o Sistema com a falsa armadilha do riso da criança, pois são tantos os risos de sedução ao longo dos contínuos 365 dias.

A saída é se fixar em Jesus Cristo, que liberta do endividamento parcelado no supérfluo da existência, surgido lá atrás, representando por reis e caixas brilhantes amontoadas no lombo de burros, alimentando a cultura consumista que assassinou a essência do Natal.

As mensagens de compaixão e de fraternidade de Jesus Cristo ficaram esquecidas nas embalagens de presentes que se destacam mais do que o presente que chamamos carinhosamente de Mãe Terra, que, a cada Natal, absorve as toneladas de lixo produzidas na cultura do ter em detrimento do Ser.

Moldemos o presente para salvar o futuro! O natal das caixas coloridas seduz e destrói; ao longo do ano vindouro elas novamente surgirão, subindo ao palco das ilusões com outras faces.

Logo após o Natal vem o carnaval, que antes de se tornar adolescente, já quer ovo da Páscoa, com o riso da mãe em maio, e antes do beijo do pai em agosto, receberá o beijo da namorada ou do namorado.

Muitos talvez já esqueceram, mas as cenas de desertificação noticiadas dia desses, dando conta que o maior arquipélago fluvial do mundo, a Ilha do Marajó, está desaparecendo, retrata bem a cultura do ter, adotada ao longo das mais variadas formas de sedução do capital.

Temos que buscar o antídoto milagroso para manter esse belo recanto Divino flutuando em algum canto desse encanto de Via Láctea.

O comunismo dividiu a Alemanha, que queria ser dona do mundo que o capitalismo está destruindo.

O “temporário” sorriso das crianças é só mais uma armadilha. O melhor sorriso que podemos proporcionar a elas é o de defesa da cidadania plena, sem esmolas do Sistema.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Amazônia e o verde que deu rasteira nas árvores

Agoniza a Amazônia de rios assoreados por mortos peixes. Vidas do pulmão do mundo agonizam.

Rios antes caudalosos, cheios de peixe, afloram o fundo de mosaico de lama endurecida pelo sol escaldante, e claro, pela ação predatória econômica no patrimônio da humanidade, a Floresta Amazônica. Debate-se na margem de rios quase nus de vida, o último bagre.

Chora o ribeirinho, cada vez mais ribeiro, face o acuo aplicado por rebanhos, que pintam de branco a moribunda floresta que sem poder correr, sente arder em faíscas milenares acarvoados troncos, que aguardam o capim para despistar o holocausto.

O Ribeirinho que antes tinha sua fonte de alimento ao alcance da janela num simples arremesso com isca certa. Agora sai em busca de outros remansos.

Sem ranço do gado, espera buscar sorte grande na cidade. Poder catar papelão, e no fim de semana, comer a costela sem procedência assada no carvão sem certificação.

Mas tudo passa. Logo virão as chuvas que afogam o sul do Brasil e novamente o verde voltará, embora mais fraco, rasteiro e pisado, mas dizem que a solução virá com a máquina que transforma dinheiro em alimento.

A Amazônia e o verde que deu rasteira nas árvores

Agoniza a Amazônia de rios assoreados por mortos peixes. Vidas do pulmão do mundo agonizam.

Rios antes caudalosos, cheios de peixe, afloram o fundo de mosaico de lama endurecida pelo sol escaldante, e claro, pela ação predatória econômica no patrimônio da humanidade, a Floresta Amazônica. Debate-se na margem de rios quase nus de vida, o último bagre.

Chora o ribeirinho, cada vez mais ribeiro, face o acuo aplicado por rebanhos, que pintam de branco a moribunda floresta que sem poder correr, sente arder em faíscas milenares acarvoados troncos, que aguardam o capim para despistar o holocausto.

O Ribeirinho que antes tinha sua fonte de alimento ao alcance da janela num simples arremesso com isca certa. Agora sai em busca de outros remansos.

Sem ranço do gado, espera buscar sorte grande na cidade. Poder catar papelão, e no fim de semana, comer a costela sem procedência, no carvão sem certificação.

Mas tudo passa. Logo virão as chuvas que afogam o sul do Brasil, e novamente o verde voltará, embora mais fraco, rasteiro e pisado, mas dizem que a solução virá com a máquina que transforma dinheiro em alimento.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu, você e o Belchior

Se algum dia nos encontrarmos e você vier me perguntar por onde andei, gostaria de dizer que estava com Belchior; bem longe do Sarney e dos cabra da peste que impesteiam os poderes que estão apodrecendo o sonho do brasileiro e de tantos outros irmãos latinos.

Quando assisti à entrevista do fujão latino americano sem parentes importantes, confesso: senti Inveja do Belchior. Queria também poder ir para o Uruguai; voltar a ser um rapaz Latino-Americano e mesmo sem dinheiro no banco, permanecer sonhando acordado de que tudo é divino, tudo é maravilhoso.

E não cantaria a canção como se deve: correta, branca, suave, muito limpa, muito leve. Pois estaria em fuga da sujeirada. Partiria vomitando em cima dos escrementos que nos atormentam com emendas de orçamento e tal, apoiadas nos “emprestados” canhões que avermelharam a rosada casa de Alende.

Nesse contexto, nada é divino, nada; nada é maravilhoso, nada; nada é sagrado; nada, nada é misterioso. Ressuscitaria a “poderosa” e costuraria as veias abertas da nossa querida América Latina, para estancar o sangue derramado de nossos irmãos talhado nas entranhas da exploração encoberta pelo sinistro descobrimento.

Por isso, cada passo deve ser cuidadosamente estudado. O sinal, discretamente está fechado para nós desde que aqui chegaram as três caravelas.

Por ventura ou por azar, vieram com Cristo e o canhão. Quantos índios mataram ninguém pode contar. Conta-se que algumas mortes não ocorreram por ação do invasor que chegou de além-mar trazendo os deuses cavalos; índias mães desesperadas, com receio do futuro, aguardavam com a mão enforcante a vinda do pescoço do rebento, pensando dessa forma libertá-lo.

E o rebento partia com a face rocheada, sem mesmo chegar. Sem soltar o choro de celebração da vida, ou o grito da vitória.

Nem um choro, apenas lamento. Sons, palavras, são navalhas e não podemos cantar como convém sem querer ferir ninguém, pois o ferido de morte sou eu, é você. E de nada adiantará gritar, pois correrá o risco de perceberem sua presença; então o silêncio é a saída, ou quem sabe a abertura de sua sepultura.

A escolha, lembre-se, é você que faz. Pode fugir quando quiser, mas permanecerá preso na lembrança de não ter tentado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cúmplice, eu?

Muitas vezes, antes de tombar em definitivo, antes dos joelhos começarem a dobrar, buscamos no silêncio a intenção de prolongar a sobrevivência; até quando? Injustiças chovem ao nosso redor, massacres de inocentes molduram nossa janela, e nem um sussurro de contestação. Emudecemos na cumplicidade do silêncio.

O conformismo do “ainda” ileso, além da mordaça, também coloca venda nos olhos, mesmo que seu ideal não esteja à venda.

Não nos levantamos contra as injustiças, porque somos co-autores no silêncio que camufla a covardia. Emudecemos no assalto à casa do vizinho, à chacina no bar da esquina, até o dia em que nossa vida se enquadrar na alça da mira do medo que cresce, a medida que nos tornamos cúmplices.

Assistimos complacentes a mais um caso de corrupção envolvendo o Estado, sem nos enxergarmos no estado, enquanto eleitores responsáveis que somos, somos?

Um bando de idiotas imaginando que o paraíso está depois da invisível linha da vida é o que somos. Pensamos na morte como algo libertador e esquecemos que a vida deve ser celebrada. Contudo, a vida, a vida mesmo, é só para os guerreiros de coração grande, com visão além do muro que construíram enquanto você cochilava, ou melhor, fingia, só para não ver mais uma covardia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viver e não ter a vergonha de ser feliz (...). Por favor, desprogramado.

A misteriosa morte! O apagão final, o desligamento total. Sei que não é assunto de interesse dos vivos, já que significa o outro lado da moeda; independente de ser cara ou coroa ela existe. Talvez mais que a vida que muitos deixam de celebrar presos no abstrato futuro, ou ao passado, passado.

Choro pago. Pagaria por um choro de lamento só para destacar o adeus final? E quanto mais carregado o choro e os soluços, mais importante é a perda, tanto em cifrão, quanto em lembranças de sonhos que jamais se materializarão.

No rito do sarcedote vestido de negro, com capuz sombreando os olhos, empunhando uma foice diabo torto, abastados contratam folclóricas carpideiras, que despejam um rio de lágrimas, mesmo desconhecendo a história do defunto, que deitado se encontra, com viva maquiagem, enquanto os sem posse só lamentam o custo; pudesse escolher, desejaria um crematório público.

E perdemos. Perdemos o cheiro, o riso do ente que se vai, e não nos damos conta, de que a vida, que é um presente, se esvai na absurda irracionalidade da competição dos tolos que nem se dão conta que nasceram vencedores no gozo profundo que fecundou o óvulo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Levando você no ônibus

Nesses tempos de multidão muda, de óculos escuros mesmo no escuro, com fones que impedem o diálogo, permito-me celebrar o discurso do pedinte, mesmo sentido reprovação nos quase mudos corpos acomodados nos assentos.

Vai uma jujuba? Duas por um real.

Nem sim, nem não. Ninguém diz nada. Poucos se limitam a devolver o “convite” à $olidariedade, sem retirar o fone entupidor, ou melhor, destruidor de tímpanos; a maioria se recusa com auxílio dos óculos da indiferença.

Nada de riso ou raiva estampa no rosto do acomodado no assento. Mesmo se estivesse de pé, os óculos escuros com imagens pintadas nas lentes o leva para bem distante da encardida receita azul, que mais um pedinte tenta trazer à luz; só observa o escuro colorido fixado na lente, que vê vermelho, azul e amarelo, só não enxerga o elo.

Pior do que a mudeza da multidão é o sentir-se só na batalha dos moinhos que não são mais de vento, são da fragilidade do espírito, da carne e do osso surgida a cada oportunidade de melhora do dia seguinte. Mas ninguém observa as oportunidades surgidas na existência de todos os dias e horários que senta-se ao seu lado.

Fale o desnecessário! Não ligue para o aviso mal educado pintado no degrau para que diga só o necessário. Diga bom dia! boa noite! e, principalmente, como vai?! Precisamos ouvir, de preferência enxergando o que o corpo diz.

Fábio Porchat - Pega a visão

Reforçado pelo brilhante e esclarecedor vídeo do ator Fábio Porchat, Revelando: Grandes igrejas, Master negócios . Resolvi, diante da urgênc...