A dominação no estado do Espírito Santo por parte das forças que o governam é fato. Essas “invisíveis” forças não nasceram no governo anterior, nem tiveram seu funeral no atual; elas estão enraizadas na cultura de uma privilegiada minoria, desde muitos governos passados. Vivemos de certa forma, dois mundos: um sentido, e o outro visual; um que se apresenta com oportunidades, e outro que assassina a esperança.
Repare na quantidade de efeitos especiais que anestesia sua opinião a cada intervalo do programa que te desprograma na tevê; e você não sabe a cifra, sabe apenas que os corredores dos hospitais públicos estão com doentes. Talvez não, a televisão não mostra mais. Vemos a cada intervalo somente a ponte. Que ela vai ser o novo postal da cidade e que será mais um orgulho capixaba.
Poucos são os que escapam, e conseguem enxergar através dessas propagandas que rompem os nobres intervalos. E ninguém diz quanto foi; quanto gastaram. Não o gasto com a ponte, ela já está feita mesmo, mas com as propagandas da nova ponte que ligará a Capital ilha cheia de cores com o novo Espírito Santo que vê envelhecer os problemas de saúde do povo que pisa sobre o petróleo.
Talvez por isso prevaleça a cor preta. Preta da cor do céu pulverizado do pó preto que estenderá sua ameaça para as praias do litoral sul. Contudo, a informação de que a qualidade do ar está ótima ocupará o intervalo do poder que defende a liberdade de expressão, embora ele nos impeça de sentar a mesa para uma conversa de fim de dia em família.
Os escassos fugitivos dessa matrix institucional conseguem enxergar o poluído fundo escuro que reflete a ponte postal, que logo receberá um nome iniciado com letra maiúscula. E a mistificarão como se ela fosse a ligação para alcançarmos desejos urgentes de resgate da nossa minúscula cidadania.
E de propósito nos fazem esquecer de que não há mais oposição no processo político, nem renovação; que escutar do avô senador, pai do filho deputado de que o neto está no caminho certo é comum nesses tempos de pragmatismo político. Incomum é ouvir que precisamos oxigenar a política, que precisamos saber o custo dessas propagandas pagas com dinheiro público.
Plim, plim